LAVAGEM CEREBRAL
O tenente era instrutor da disciplina Chefia e Liderança. A aula do dia seria sobre tomada de decisões. Um grupo de alunos faria uma apresentação sobre o tema; em seguida, o oficial faria suas considerações e, no final, abriria-se espaço para um debate entre a turma.
O tenente chegou à sala. A turma se levantou. O xerife prestou o anúncio regulamentar. O grupo iniciou a apresentação.
O Cadete Mahoney começou a falar em como proceder caso o oficial tivesse alguma dúvida. O cadete afirmou que primeiro deveria se recorrer ao superior hierárquico, depois a algum militar da mesma graduação e, só em último caso, ao praça.
O Tenente Harris lembrou dos ensinamentos que recebera quando cursou o CFO. Resolveu repassá-los para a turma. Interviu na apresentação do grupo e disse:
- Cadetes, há cinco anos, quando eu estava nessa mesma sala de aula, surgiu a dúvida sobre aceitar ou não a sugestão de um praça. Naquela ocasião, o oficial que ministrava a aula me ensinou uma coisa que até hoje eu aplico no meu dia-a-dia. Eu acho que vai valer para vocês também.
O Tenente Harris se levantou e começou a andar pela sala de aula. Deu uma pausa, meditando acerca do que diria em seguida, e continuou a explanação:
- Vocês serão oficiais. Comandarão pelotões, companhias e muitos alcançarão o último posto da carreira. Na hierarquia militar, o praça é um mero cumpridor de ordens. Vocês têm que mostrar para ele quem está no comando. Mesmo que o praça dê uma sugestão que salve a humanidade, vocês só devem aceitá-la em último caso, quando não tiver outra alternativa. O praça deve saber quem está no comando.
O Tenente Harris parou perto do quadro negro, virou-se para a turma, olhou fixamente para os cadetes, elevou o tom de voz e prosseguiu na explanação:
- Vocês têm que dizer NÃO ao praça. Na maioria das vezes, vocês devem desprezar as sugestões do praça. Vocês devem mostrar para ele quem é que está no comando!
Houve um breve silêncio. Os cadetes interiorizaram as explicações do tenente. A aula prosseguiu.
Cinco anos depois, era o Tenente Mahoney (o Cadete Mahoney, se lembram) que estava ministrando a aula aos cadetes do CFO 1º ano. O tema era o mesmo: tomada de decisões. Durante a apresentação do grupo, o Tenente Mahoney interviu:
- Cadetes, há cinco anos, quando eu estava nessa mesma sala de aula, surgiu a dúvida sobre aceitar ou não a sugestão de um praça. . .
Autor: Pracinha
Leia também: Extorsão na Loucademia de Polícia.
“A verdadeira autoridade não é preprotente e não precisa impor pela força.” - Dr. Lair Ribeiro - A MAGIA DA COMUNICAÇÃO, pag. 67.
Tags: ciclo vicioso, história, Lavagem cerebral, loucademia
abril 26th, 2008 at 12:33
o blog do soldadopi Liberdade de Expressao teve a participácao de suposto tenente que aparentemente ficou chateado…. inclusive enquadrou como anarquia. É a volta da ditadura!!!!!
junho 25th, 2008 at 14:37
[...] apesar de já estarem no milênio trinta e um, sempre fora assim na Loucademia. O ciclo vicioso nunca fora quebrado. As vozes insurgentes sempre eram caladas por meio da perseguição. Aqueles [...]
junho 25th, 2008 at 15:10
[...] continuar insistindo nos mesmos erros e, o pior, não conseguem enxergar a realidade. Nada evolui. O ciclo vicioso nunca é quebrado. É como diz o velho e famoso axioma: “Se você fizer o que sempre fez, obterá [...]
agosto 31st, 2008 at 16:59
[...] quase extinto. Sua forma rudimentar e jurássica somente existe nas loucademias, onde persiste o ciclo vicioso, e na administração de algumas Unidades. Na rua, temos que ser companheiros, um salvando a vida [...]
setembro 3rd, 2008 at 17:42
[...] combatentes; falei de como somos desvalorizados por pessoas que deveriam nos valorizar; falei do ciclo vicioso e da lavagem cerebral que ocorre nas Loucademias, impedindo que os praças e oficiais tenham um [...]