ENXUGANDO GELO
ENXUGANDO GELO
Esta história é fictícia. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.
Ano de 3027.
Havia muito tempo que o Sargento Langdon, da FPM (Força Pública Militar), queria acabar com aquela boca-de-fumo. Os safados estavam vendendo droga como se fosse picolé. Explicitamente. Ficavam na entrada do Beco Seis da Favela do Louvre oferecendo os papelotes para todos os transeuntes que passavam. Contudo, quando as viaturas se aproximavam, eles saíam em disparada para dentro da favela.
A P2 não conseguia levantar nada. O efetivo era insuficiente. Só fazia trabalho administrativo. Quando muito, monitorava militares da própria Unidade.
O comandante do batalhão não dava a mínima para o tráfico na Favela do Louvre. Estava mais interessado em prevenir assaltos e furtos na área comercial e nos bairros nobres. Certa vez, ele disse:
- Eu acabo até com a viatura de área, mas não tiro a cabine da FPM do centro comercial da cidade!
O Sargento Langdon, porém, já estava perdendo os cabelos com aquele tráfico explícito. Contudo, não conseguia fazer nada. Era tanta briga de casal para atender que não sobrava tempo para ações que ele considerava importantes. Estava se sentindo sozinho naquela luta. Mas aquela boca-de-fumo tinha que ser fechada. O sargento tinha para si que o narcotráfico era a raiz dos problemas da segurança pública.
A Favela do Louvre não era diferente das demais. Ocupação desordenada, disposição caótica dos imóveis, desestrutura familiar e social, ausência do Estado e população cooptada pelo narcotráfico.
Numa segunda-feira, no começo da madrugada, os casais resolveram fazer uma greve de brigas. Era a oportunidade que o sargento tanto esperava para monitorar a boca-de-fumo. O sargento parou a viatura num local estratégico e, junto com seu patrulheiro, o Soldado Fache, caminharam até um local onde era possível ter uma visão da ação dos traficantes. Foram facilmente identificados os dois “comerciantes”. Todavia, teria que se planejar uma operação para deter os safados, uma vez que qualquer movimentação de viatura faria com que eles adentrassem em disparada para o interior do beco, dificultando a prisão.
Com a autorização do coordenador do policiamento, a guarnição do Sargento Langdon se reuniu com a guarnição de uma viatura da cidade vizinha, sendo esta composta pelo Cabo Teabing e pelo Soldado Remy. A operação foi detalhadamente planejada. Os militares teriam que adentrar furtivamente no aglomerado. A incursão pelos becos também teria que ser furtiva. O que não faltava na favela eram olheiros.
A operação foi deflagrada. As viaturas foram deixadas longe do aglomerado, e os militares prosseguiram a pé. Chegando à favela, os militares passaram a usar uma disciplina tática digna de uma tropa de elite.
Como a boca-de-fumo estava situada na parte alta do Beco Seis, os militares iniciaram a incursão pela parte de baixo do aglomerado. A intenção era justamente surpreender os infratores. O beco era íngreme. Exigia preparo físico dos milicianos.
Taticamente, os militares foram subindo o beco. Silêncio total. Comunicação por gestos. Aproximaram-se da parte alta, da boca-de-fumo. Nenhum incidente até aquele momento. Já dava para ouvir a conversa dos traficantes, que estavam à vontade. Não tinham percebido nada.
O sargento tomou a decisão de desencadear a abordagem naquele instante. “É agora ou nunca”, pensou. Fez sinal para os companheiros, informando que chegara o momento crucial. Após o sinal, todos terminaram de subir o beco em desabalada, deparando com um dos traficantes portando um revólver no bolso da calça. O outro traficante arremessou um embrulho de plástico na rua. Com energia, Langdon abordou os infratores verbalmente.
Mantendo o sangue frio habitual, o sargento determinou que o traficante retirasse a arma do bolso e a colocasse no chão. Assim ele fez. O outro traficante foi revistado. O embrulho jogado na rua foi arrecadado, sendo constatado que continha trinta pedras de crack.
A operação foi um sucesso. A alegria era visível nos rostos dos militares. Parecia que tinham ganhado na mega-sena. O Soldado Fache disse ao sargento:
- Sargento, estes safados vão passar um bom tempo na cadeia.
- Eu espero que sim. - respondeu o sargento, descrente.
Os traficantes foram conduzidos à delegacia de plantão, onde foram autuados em flagrante por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo.
Menos de dois meses depois, quando faziam patrulhamento defronte à entrada do Beco Seis, o Soldado Fache disse ao Sargento Langdon:
- Sargento, olha ali. Os safados já estão soltos!
- Que isso! É mesmo! - disse o sargento, indignado. - A gente arrisca a vida para prender esses vagabundos e eles não ficam nem dois meses presos. Este país não tem lei mesmo não!
Autor: Pracinha
maio 13th, 2008 at 8:14
dia 13 DE MAIO; DIA DA FALSA LIBERDADE ESCRAVOCRATA, NO ENTANTO NA PM NADA MUDOU, AFINAL ELA É DESDE 1809 E A LEI DE ABOLIÇAO É DE 1888. HA MAIOR SEMELHANÇA ENTRE A AFRICA E A PM DO QUE SE PODE PENSAR. EX . NA AFRICA DOS SECULOS PASSADOS O LIDER TRIBAL FOMENTAVA A MISERIA E VENDIA OS SEUS IRMAOS,PARA OS SENHORES DA TERRA, TANTO LÁ QUANTO AQUI. QUE UM DIA A ABOLIÇAO POSSA CHEGAR AO NOSSO ALCANCE, DE PREFERENCIA POR NOSSAS MAOS E NAO POR DOAÇAO. LUTEMOS PELA LIBERDADE.HIERARQUIA E DISCIPLINA NAO É ALIENAÇAO E AMADORISMO ( MILITAR NO BR AINDA É AMADOR , PARTAMOS PARA O PROFISSIONALISMO)
junho 25th, 2008 at 15:04
[...] em IPMs, de figurar como sindicado em procedimentos administrativos, de ver que nosso serviço é enxugar gelo, de ver “algumas” injustiças, de ver que às vezes somos usados como massa de manobra e por [...]
setembro 7th, 2008 at 5:54
PARECE ATÉ QUE TA CONTANDO A MINHA HISTORIA.