CONVERSA DE VIATURA
quarta-feira, abril 23rd, 2008Ano de 3028.
Domingo, 17 horas. Sol escaldante.
A viatura 15230, da FPM (Força Pública Militar) encontrava-se parada na estrada de acesso ao Distrito de Córrego da Mata, via não pavimentado de pouquíssimo movimento. O Sargento Moisés e o Soldado Rambo estavam na viatura. Eles estavam fazendo ponto base naquele local havia mais de quinze minutos. Nada tinha passado por eles. O soldado perguntou ao sargento:
- Senhor, até quando nós vamos ficar aqui?
MOTIVAÇÃO: VIDA DE INSETO
sábado, abril 19th, 2008Eu sei que meu blog vai ficar pesado com a postagem deste vídeo, mas ele é muito interessante. Se sua internet for de banda larga, vale a pena assistir!
OPERAÇÕES: QUANTIDADE VERSUS QUALIDADE
sexta-feira, abril 18th, 2008Esta história é fictícia. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.
Ano de 3028. Sexta-feira, 17h30min.
O Sargento Moisés desembarcou do ônibus e caminhou até o Batalhão da FPM (Força Pública Militar), onde foi recebido com uma calorosa continência da sentinela. O Moisés era muito mais policial que militar. A continência foi prontamente retribuída, e o sargento fez questão de cumprimentar a sentinela com um aperto de mão. Os dois conversaram rapidamente. Por dever regulamentar, o sargento se dirigiu à sala onde ficava a Companhia à qual pertencia.
- Com licença, senhor capitão – disse energicamente, após tomar posição de sentido - Sargento Moisés, permissão para entrar no recinto.
- Entra – respondeu o capitão, sem lhe dar muita atenção.
- Senhor, alguma ordem especial para o turno? – indagou o sargento.
- Nenhuma. . . Ah! Não deixe de fazer as operações previstas. A P3 tá cobrando.
O sargento Moisés achou que já tinha passado da hora de por um fim naquelas operações fantasmas. Uma hora iria sobrar para ele. Quem conhece o mínimo de tática e de técnica policial sabe que é um extremo disparate fazer blitz à noite com apenas dois policiais. Um automóvel pode estar ocupado por até cinco pessoas. Serão cinco possíveis infratores contra dois policiais. Não se tem a mínima supremacia de força. Além disso, os faróis dos veículos ofuscam a visão dos policiais, impedindo que se veja o interior do automóvel. A despeito dessas dificuldades, a Companhia agora queria que se abordassem até coletivos e vans. O sargento achou que isso estava indo longe demais. Resolveu ponderar.
- O senhor não acha muito arriscado fazer essas blitze de trânsito com apenas uma guarnição de dois policiais militares? Não tem supremacia de força nenhuma!
- Moisés, essas operações vêm de cima. Eu só coloco na escala. Mas. . . não é tudo blitz de trânsito. . . é?
- Senhor, no nome, não! Mas, no final, tudo é blitz de trânsito.
Para não ficar sempre com a mesma denominação, a FPM havia criado denominações diversas para as blitze de trânsito. A FPM é muito criativa mesmo, vejam só os nomes: “viagem com segurança”, “linha de segurança”, “operação van clandestina”, “operação moto de aço” e “operação 4-4-4”, que consistia em abordar quatro coletivos, quatro taxistas e quatro motocicletas. No final, tudo era blitz de trânsito. Só haviam diversificado as denominações.
- Moisés, faça o que puder ser feito. As operações têm quer ser geradas - disse o capitão.
- Por isso mesmo, senhor. Se têm que ser geradas, têm que ser feitas. Eu temo pela segurança da guarnição. É complicado fazer blitz à noite.
- É como eu estou te falando, Moisés. Isso vem de cima. É a P3 que elabora a escala de operações. Segundo eles, as operações são baseadas em estudos estatísticos dos crimes.
- Senhor, na escala está previsto que todo dia tenha operação “van clandestina” às três horas da madrugada na Rua Lima Francisco. O senhor conhece essa rua?
- Não.
- Senhor, lá não passa nem alma penada nesse horário, quanto mais van. De onde que eles tiraram que lá devia se fazer operação “van clandestina”.
- Moisés, eu te entendo. Contudo, como eu te falei, essas operações são definidas pela P3. Eu não posso fazer alterações.
O sargento entendeu que aquela conversa não iria levar a lugar nenhum. Na verdade, o sargento sabia que o secretário de segurança estava cobrando dos comandantes a redução dos índices de criminalidade. Seria a base da campanha do governador à sua futura candidatura à presidência. A pressão vinha de cima. Bem de cima. O alto número de operações seria um engodo para mostrar ao secretário e ao governador que a FPM estava empenhada na diminuição dos índices de criminalidade.
Um mês depois, numa sala ampla, estavam reunidos o comandante do batalhão, o secretário de segurança e diversas autoridades.
- Senhores, - disse o comandante, com falso orgulho - realmente tivemos um aumento no número de arrombamentos na área do batalhão. Mas, como os senhores podem ver no slide, aumentamos em 100% o número de operações de combate a perueiros.
Na noite desse mesmo dia, enquanto o sargento Moisés colocava os cones na Rua do Faraó para combater os perueiros fantasmas, um cidadão infrator arrombava tranqüilamente um estabelecimento comercial situado no outro lado do quarteirão.
Viva o aumento do número de operações!
Autor: Pracinha
A MORTE DO PRACINHA
terça-feira, abril 15th, 2008A MORTE DO PRACINHA
Esta história é fictícia. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.
Dois anos de estudos. Como isso foi acontecer? O que foi que houve? Até hoje essas perguntas não saíam da cabeça do Pracinha.
O Pracinha começou sua vida profissional partindo de baixo. Antes de entrar na FPM (Força Pública Militar), era auxiliar de serviços gerais. Estudou, foi aprovado no concurso de soldado, e sofreu vários meses de curso. Foi humilhado, tratado como cachorro, sob a alegação de que um soldado deveria ser superior a tudo. A tudo o Pracinha superou.
O Pracinha não tinha muito tempo na corporação, mas também não tinha pouco. Já possuía maturidade profissional e atuava com tranqüilidade e desenvoltura nas ocorrências. Conhecia bem o sistema militar, embora não concordasse com tudo. Tinha que aceitar! “Se você não está satisfeito, pede baixa”, era o que os superiores sempre diziam. O Pracinha sabia que muitas arbitrariedades eram praticadas sob o manto da hierarquia e da disciplina. Tinha que aceitar!
Estudou muito para tentar ser promovido, para dar uma vida melhor à família. Dois anos de estudos. Prestou concurso para oficiais, que teve uma relação de mais de duzentos candidatos por vaga. Foi aprovado nas provas de conhecimentos, ficando dentro do número de vagas. Treinou muito para os testes físicos. Não queria deixar que todo aquele esforço fosse em vão. Tirou uma excelente nota nos testes. “A vitória é decorrente do esforço”, pensava ele.
A última etapa seria o exame psicológico. O Pracinha estava tranqüilo. Afinal, já havia sido aprovado nesse exame quando ingressou na corporação, e os traços de personalidade avaliados eram os mesmos utilizados no concurso para soldado. Ele ainda já tinha sido aprovado em outros exames psicológicos, como para tirar carteira de motorista, para armar fixo e para comprar arma de fogo. Não seria a primeira vez que ficaria frente a frente com uma psicóloga. Estava confiante.
O BLOG E A GUERRA ASSIMÉTRICA
domingo, abril 13th, 2008Nesse contexto atual, como poderemos vencer o inimigo, que quer a todo custo ocultar as informações? Acho que a guerra assimétrica seja a solução mais adequada. É uma guerra da qual nós blogueiros já somos combatentes.
Para lançar o Blog: Sempre quiseram nos manter calados. Por quê?
sexta-feira, abril 11th, 2008
A Constituição Federal prescreve que é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato. Porque, então, criei um blog anônimo? Porque, infelizmente, nós militares não temos os mesmos direitos dos outros cidadãos. Porque, na verdade, no Brasil, a Constituição é uma falácia. Será que efetivamente todos os cidadãos brasileiros são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza? É claro e evidente que não.






