LAVAGEM CEREBRAL - PÁGINAS EM BRANCO


Saiu hoje (18/05/2008) uma reportagem bastante interessante no jornal FOLHA DE S. PAULO. O repórter Raphael Gomide prestou concurso para o cargo de soldado da PMERJ, foi aprovado em todas as etapas e ficou quase um mês nessa corporação. A reportagem é bastante interassante em muitos aspectos, mas o que me chamou mais a atenção foi o seguinte trecho:


“Paranóia
Submetido à disciplina militar, sonho diariamente com marchas e canções. Descobri que não era o único. ‘É lavagem cerebral’, diz um ex-marinheiro. Passamos o tempo todo em forma -para chamadas, ir embora, cantar músicas ou instrução no pátio-, marchando, “vibrando” ou correndo, em deslocamentos. “


A reportagem também pode ser vista na íntegra no blog militar legal.

Talvez a maioria das pessoas não perceba a lavagem cerebral a que foi submetida, principalmente quem passa anos submetido ao processo, a exemplo dos cadetes e alunos a oficiais.

Gostaria de discorrer mais sobre o assunto, entretanto, como estou sem tempo, vou deixar este link: http://pessoas.hsw.uol.com.br/lavagem-cerebral.htm. Ele explica os processos e as fases da lavagem cerebral. Você vai perceber que as instituições militares são adeptas dessas técnicas. Se você é policial militar, vai perceber que também já foi submetido ao processo de lavagem cerebral.

Eu fico pensando em como a técnica deve funcionar em adolescentes e jovens (na verdade, são ainda crianças) que ingressam na corporação já na graduação de cadetes, ou seja, superiores hierarquicamente a 90% da tropa, superiores até a experientes subtenentes, que na maioria das vezes já exercem a função de oficiais. Essas crianças, sem experiência de rua, sem experiência profissional, sem experiência prática, verdadeiras páginas em branco, devem achar que tudo o que os instrutores falam é verdade absoluta, verdade incontestável. Mas nem tudo é verdade; muitas coisas são embustes, disparates, despautérios, sofismas ou tradições desnecessárias que a PM insiste em perpetuar. Com suas mentes subjugadas, os futuros oficiais vão continuar insistindo nos mesmos erros e, o pior, não conseguem enxergar a realidade. Nada evolui. O ciclo vicioso nunca é quebrado. É como diz o velho e famoso axioma: “Se você fizer o que sempre fez, obterá sempre os mesmos resultados”.

Deixo aqui o meu conselho a todos: Tentem se libertar da lavagem cerebral!

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12 Responses to “LAVAGEM CEREBRAL - PÁGINAS EM BRANCO”

  1. Anonymous Says:

    Naum sei como tem praça q fala com tanto conhecimento do q acontece nas academias se nuncaa esteve la como cadete nem oficial….

  2. Pracinha da PM Says:

    Talvez porque muitas pessoas mudam após fazerem o curso de oficiais (CFO), inclusive alguns que já foram praças. Talvez porque praças que fizeram conosco o curso de soldado e que, depois, fizeram o CFO, nos relatem as experiências. Talvez porque os próprios oficiais nos relatem como foi o curso. Talvez porque, às vezes, os cadetes, aspirantes e novos oficiais deixem transparecer a lavagem cerebral sofrida. Talvez porque os novos oficiais demonstrem claramente que estão “bitolados” com idéias arcaicas. Talvez porque o sistema nunca mude. Talvez…

  3. Anonymous Says:

    O Governo do Estado do Rio de Janeiro, apesar de ter a segunda maior arrecadação de impostos do país, permite que seus cidadãos sejam “servidos e protegidos” por Policiais Militares com SOLDOS inferiores ao SALÁRIO MÍNIMO!

  4. Emmanoel Almeida Says:

    Olá, Pracinha!
    Tenho acompanhado suas postagens e percebido sua insatisfação com a classe dos oficiais da Coorporação. Apesar d ñ existir texto imparcial, não precisa ser leitor de acuidade seletiva razoável para identificar seu tendencialismo ideológico, o q faz seus posts terem um pobre conteúdo. Em 2001, passei no concurso para Praça da PMBA. Era irresignado como vc. Por isso fiz o vestibular e passei, pelo q sou hj aluno-a-oficial. Ainda penso q o sistema merece muitos ajustes. E por isso eu convido vc a também fazer o vestibular/concurso e tentar ser aprovado, pra ter mais propriedade no q vc defende e contribuir para a Segurança Pública, q deveria ser a proposta de seu Blog.
    O Crime está Organizado, ñ se engane. E estamos nos dividindo a nós mesmos.
    Que pena.

  5. Pracinha da PM Says:

    Emmanoel Almeida, muito obrigado pela visita e pelos comentários. Agora eu entendi o porquê de vc ter me advertido acerca do processo criminal. A liberdade de expressão costuma ser muito mal vista pelas autoridades, principalmente por autoridades ditadoras. O livro Elite da Tropa, que tenho certeza que vc já leu, fala coisas muito mais pesadas do que aquilo que está postado neste humilde blog. O filme Elite da Tropa, então, nem se fala: Comandante de Unidade recebendo arrego do tráfico, propina de jogo do bicho, esquema de reboque, etc., etc. E nem por isso o Comandante Geral da PMERJ foi contra o filme. Talvez realmente me incriminem, o que logicamente eu não desejo, visto que não tenho a mínima condição de pagar um advogado; praça só anda com a corda no pescoço. Sobre fazer o concurso para oficiais, eu conheço muitos pracinhas, inclusive sargentos, que já fizeram o concurso, passaram em todas etapas, mas foram barrados no exame psicológico (psicotécnico); tiveram o direito da promoção tolhidos (leia: A morte do pracinha). Eu não entendo o motivo dessa contra-indicação no psicotécnico, uma vez que eles já realizam serviço de natureza policial-militar. São coisas como essas que me deixam “irresignado”. O conteúdo do blog é realmente pobre, não nego; eu não tenho muito tempo para ele. Eu leio seu blog (Abordagem Policial), acho legal, mas também não concordo com tudo. Quanto às divisões dentro da PM, eu também sou contra. Sou contra oficiais fazerem refeição em lugar separado dos praças nos ranchos, sou contra somente se divulgar nos Boletins as punições dos praças, etc., etc.
    Para que tenhamos sucesso contra o crime organizado, temos que conhecer os defeitos e qualidades da instituição, conhecer o inimigo, conhecer a si próprio… É isso que diz o livro A Arte da Guerra, que tenho certeza que vc também já tenha lido. Dessa forma, o combate contra o crime começa com mudanças na própria PM. Eu quero unicamente expor minha opinião e escrever contos fictícios. Se os contos porventura ofenderem alguém, é porque a carapuça está servindo. Não tenho nada pessoal contra oficiais, contra cadetes ou alunos a oficiais. Eu até tenho colegas oficiais, alguns da minha turma de soldado. Ah, eu também tenho vontade de fazer curso de teologia. Saudações, e viva a liberdade expressão!

  6. Daniel Abreu Says:

    Nobre Pracinha.
    Também venho acompanhando seus textos e suas aparições em outros blogs para comentar e acrescentar [sempre] nos debates. Concordo com você em vários pontos de vistas, porém continuo discordando de você e dos demais que afirmam que os problemas estão nas idades e na lavagem cerebral. Hoje tenho 20 anos de idade, adoro ser militar, porém ainda tenho certas dúvidas quanto a utilização desse sistema de gestão na atividade de polícia.

    Infelizmente ainda me ofendo com os comentários que fazem a respeito de Alunos Oficiais, pois alegam que se a carapuça servir é pq temos culpa no cartório. Acredito que seja diferente, pq mesmo não sendo um “policial-ladrão”, corrupto, me ofendo com os comentários que generalizam a policia brasileira de corrupta e despreparada.

    Bom, outra coisa que queria levar a reflexão e que foi tratada anteriormente pelo colega “Pracinha”. Eu sou AL OF e almoço separado dos oficiais aqui na Bahia. Porém não me ofende nem um pouco almoçar com meus companheiros, e acredito que se eu estivesse trabalhando em uma empresa privada, com certeza não estaria almoçando junto com o presidente da mesma.

    Outro tópico é quando ressaltam o tempo de serviço como fator “Indispensável” e que deve ser proporcionalmente importante relacionado a patente. Acredito que tenho muito a aprender com os praças da corporação, principalmente na parte operacional que é onde “vocês” tem que ser técnicos. Muito mais do que nós oficiais, pois é a sua atividade principal. O problema é que encaram que na Polícia isso não tem valor atribuido. Acham que só aqui há a separação, e acham que lá fora o pedreiro é promovido a engenheiro pq tem tempo de serviço.

    Espero que um dia essa divisão acabe, pois só enfraquece nossa causa.

    Quanto aos seus comentários, não acho que devam sofrer nenhuma censura, para que este meio de comunicação continue a ser respeitado pela comunidade “blogueira”.

    Parabéns pelo blog [ainda que não tenha tempo pra mante-lo, como foi por ti descrito anteriormente.]

    Abraço

  7. Pracinha da PM Says:

    Daniel, sobre almoçar com os companheiros, eu acho que a divisão começa a partir dessas “pequenas” coisas. Quanto a vc ter 20 anos e nunca ter sido praça, trabalhado na rua, não quer dizer que vc será um oficial ruim. Conheço bons oficiais qe nunca tinham sido policiais. Eu só acho que é mais fácil “manipular” uma pessoa sem experiência profissional; ela aceita quase tudo sem questionar. Eu também entrei novo na PM, com menos de 20 anos, e senti na pele a lavagem cerebral. Quando eu formei, corria pura adrenalina nas minhas veias, e nada de prudência, de senso crítico. Agora, vejo que muitas vezes somos usados como massa de manobra; agora, eu consigo ver as “supostas” irregularidades e outras coisas que anteriormente passavam despercebidas. Dou-lhe os parabéns por vc ter passado no concurso para o CFO, que é muito concorrido em todos os Estados. Faço votos para que vc forme e, após isso, tente fazer os “ajustes necessários” na PM. Saudações!

  8. DOM KARLOSOL Says:

    Senhores creio que os problemas dentro das policias militares não são determinados apenas, somente, pelo comportamento dos oficiais ou praças, em si.

    As Polícias Militares são instituições constituídas sobre sistemas próprios, montados ao longo do tempo de suas existências. Isso equivale dizer, que as Polícias Militares propriamente dita, são grandes sistemas feitos para funcionar de acordo com o que foi direcionado.

    Queira ou não, tanto praça como oficiais estão sujeitos as forças sistemáticas já estabelecida para capiturar e sujeitar quem se submenter as suas regras. De fato o sujeito que entrar nesse sistema, obrigatoriamente será moldado para se adequar ao todo para ser compatível.

    É aí que começa a falada lavagem cerebral, sem que ninguém perceba no início, tanto oficiais como praças. Alguns passam a vida toda sem perceber.

    Mas os caminhos são inversos, enquanto o praça é condicionado a obedecer sob qualquer circunstância, o oficial é trinado para fazer cumprir de qualquer maneira. Inclusive o governo sabe disso e tira vantagem, quando em se trantando de política salarial se preocupa primeiramente em agradar os oficiais, para estes manter o controle dos praças descontes, com os instrumentos da persuasão.

    Não sei se fui feliz nas minhas colocações, se fui entendido, mas a lavagem cerebral existe. E nós praças temos que ter cuidado, pois muitos companheiros se encontram ainda sob seus efeitos.

    A lavagem cerebral dentro das Polícias Militares é o sistema que impõe, todos nós somos vítimas tanto praças como oficiais.”AVANTE BRASIL”.

    OBRIGADO…

  9. Pracinha Says:

    Dom Karlosol, vc foi muito feliz em seu comentário. Talvez possam lhe dizer o mesmo que disseram para mim, para fazer o CFO a fim de falar com mais propriedade sobre Segurança Pública. Se lhe falarem isso, recomendo que leia, neste blog, o texto “Por que e por quem Jesus foi morto”. Muito obrigado pelas visitas e pelos comentários. Saudações!

  10. blog do pracinha» Arquivo do Blog » LIBERDADE DE EXPRESSÃO, ANONIMATO, CENSURA E OPRESSÃO Says:

    [...] alguns blogs, eu tenho visto oficiais e futuros oficiais criticando o anonimato de blogueiros e comentaristas. Sempre que eu leio essas críticas, lembro da [...]

  11. Parodiando Maquiavel | blog do pracinha Says:

    [...] Sua Magnificência Emmanoel Almeida também me criticou, dizendo que eu deveria fazer um curso de of…. Eu aceitei a crítica, mas não entendi como um teólogo, seguidor de Cristo, critica uma pessoa [...]

  12. Carta aberta ao senhor aluno-a-oficial Danillo Ferreira | blog do pracinha Says:

    [...] eu critico certas coisas que quero provocar divisões. O senhor aluno-a-oficial Emmanoel Almeida disse até que os posts do meu blog eram pobres (inanes) em conteúdo. Sim, não nego. Fiz o melhor que pude, mas talvez eu não tenha conseguido alcançar o meu [...]

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