ANALOGIA: POR QUE E POR QUEM JESUS FOI MORTO
ANALOGIA: POR QUE E POR QUEM JESUS FOI MORTO
O planeta não pára de girar, mas algumas coisas insistem em permanecer estagnadas.
Há cerca de dois mil anos, um homem (ou o salvador do mundo - depende da fé de cada um) chamado Jesus, quando tinha seus trinta anos de idade, começou a pregar que o sistema religioso da época estava errado, e que os chefes dos sacerdotes, os doutores da lei, os escribas e os fariseus estavam criando uma infinidade de rituais sem sentido, deturpando a mensagem de Deus. Jesus convidou as pessoas a beberem do vinho novo. Sabia, todavia, que muitas pessoas sempre iriam preferir o vinho velho, pois estavam arraigadas a antigas tradições, a formalidades banais.
Logicamente que o poder religioso tomou suas medidas para calar Jesus. Em nenhuma época a liberdade de expressão foi bem vista pelas autoridades.
Tentaram censurar Jesus, tentaram fazê-lo se auto-incriminar. É lícito ou não é, pagar o imposto a César? Pois dêem a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. Acusaram-no de estar violando o sábado, dia que era considerado sagrado. Deus quer misericórdia, não o sacrifício. O sábado foi feito para servir ao homem, e não o homem para servir ao sábado. Repreenderam-no por estar andando com pessoas pecadoras. As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes. Desprezaram-no por ser pobre, sem estudo, por não ter diploma de Doutor da Lei, por ser filho de carpinteiro. Esse não é o filho do carpinteiro? Mas Jesus provocava admiração nas pessoas com seus ensinamentos, e falava com autoridade, com propriedade. Milhares de pessoas o seguiam para ouvir sua palavra. Numerosas multidões o seguiram. A multidão se apertava ao seu redor para ouvir a palavra de Deus. Jesus ensinava como alguém que tem autoridade. O céu e terra passarão, mas minha palavra jamais passará.
Nenhuma ameaça fez Jesus desistir de sua missão de levar a boa nova aos pobres, aos doentes e aos oprimidos. Jesus sabia que iria morrer. Sua mensagem desagradava à elite. Os chefes dos sacerdotes e os doutores da lei ficaram indignados, quando viram as maravilhas que Jesus fazia. Procuraram prender Jesus, mas ficaram com medo das multidões.
Jesus lutou pelos seus objetivos, lutou contra o comércio e a venda da religião. Minha casa será chamada casa de oração. No entanto, vocês fizeram dela uma toca de ladrões. Jesus desmascarou a cúpula religiosa, mostrando a verdade ao povo. Jesus ensinou a ser humilde, lavou os pés dos discípulos. Quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês. Se alguém quer ser o primeiro, deverá ser o último, e ser aquele que serve a todos. Jesus foi enérgico com quem se posicionava contra a boa nova. Raça de víboras. Hipócritas. Sepulcros caiados. Guias cegos. Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com o dedo. Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Gostam dos lugares de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas; gostam de ser cumprimentados nas praças públicas, e de que as pessoas os chamem mestre. Por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça.
O poder religioso, percebendo a sabedoria de Jesus, percebendo que a doutrina Dele convertia muitas pessoas, percebendo que Ele era contrário ao sistema religioso vigente, decidiu matá-lo. A liberdade de expressão sempre incomodou quem esteve no poder. Armaram uma cilada para Jesus, prenderam-no à surdina, de madrugada, aproveitando a festa da Páscoa. Todo dia eu estava com vocês no Templo, ensinando, e vocês não me prenderam. Judas, com um beijo entregas o filho de Deus.
Fazendo uma analogia a história do maior líder de todos os tempos, o mestre dos mestres, percebe-se que até hoje a elite se incomoda quando alguém se posiciona contrário ao sistema, quando alguém quer trazer vinho novo. Até hoje a elite menospreza quem nasceu pobre, quem tem menos estudos, quem não tem curso de Doutor da Lei. Esse não é o filho do Carpinteiro?
Existiu alguém mais sábio do que Jesus? Em qual academia Jesus se formou? Jesus se formou na academia da vida, na academia dos valores da família, na academia da experiência, na academia da busca pela justiça, na academia da luta contra a opressão. Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é Reino do Céu.
Jesus não foi morto pelo povo honesto, pelas pessoas retas de espírito e de coração. Quem afirma isto está tentando distorcer os fatos. Jesus foi morto pela elite do sistema religioso, pelos chefes dos sacerdotes, pelos doutores da lei, pelos hipócritas, pelos sepulcros caiados, pelos guias cegos, pela raça de víboras, pelos que gostam dos lugares de honras nos banquetes e das primeiras cadeiras nas sinagogas. Foram essas pessoas - já deveria ser uma multidão naquela época - que o acusaram de blasfêmia, que gritaram: Crucifiquem-no! Crucifiquem-no!
Nos nossos tempos, quando um pracinha quer falar sobre Segurança Pública, acusam-no de não ter propriedade para isso. Esse não é o filho do carpinteiro? Discriminam-no por não ter passado pela academia dos doutores da lei. Discriminam-no por não ser oficial.
Qual o receio dessas pessoas? Será que temem uma nova doutrina, um vinho novo?
Muitos oficiais e ex-oficiais já fizeram críticas pesadas ao sistema. É só dar uma olhada no livro Elite da Tropa e no filme Tropa de Elite. Quem participou dessas obras não foram oficiais? Todo mundo sabe o que essas obras mostram: Comandante de Unidade envolvido com arrego do tráfico, recebendo propina do jogo do bicho, participando de esquemas de reboque, violando local de crime, ocultando cadáver, manipulando estatísticas, praticando tráfico de influência com políticos e até sendo mandante de assassinatos de policiais militares.
Por que o pracinha também não pode se expressar?
Bem verdade que o pracinha não tem espadim, não tem estrelas, não tem diploma. Verdade, não se pode negar. Bem verdade que o praçinha não está atrás de uma mesa.
O pracinha está é nas ruas, colocando a vida em risco pela sociedade, enfrentando quadrilhas violentas, pulando na enchente para salvar vidas, vendo irresignado cadáveres de companheiros de farda e de pessoas inocentes, dando uma de psicólogo quando intervêm em conflitos conjugais, fazendo partos dentro de viaturas, passando a madrugada de serviço sem receber adicional noturno, evitando crimes através de abordagens, revistas, operações, trabalhando sem segurança em cabines situadas em entradas de favelas, tendo a vida e a vida dos familiares ameaçadas de morte, efetuando mais de noventa e cinco por cento das prisões… É o pracinha que chega ao rancho do quartel e se depara com o aviso: ESPAÇO RESERVADO PARA OFICIAIS. E ainda é acusado de provocar divisões. É o pracinha que sofre, que é ferido, alvejado e morto em razão de malfadadas e desastrosas decisões dos oficiais, mas que não as pode questionar. Pondera, não, pracinha, ordem é ordem, não se discute. Missão dada, missão cumprida.
É claro e óbvio que o pracinha não é nem de longe Jesus Cristo. O pracinha quer tão-somente ter respeitado seu direito à LIBERDADE DE EXPRESSÃO.
Autor: Pracinha
Bibliografia: Evangelhos - Observação: As expressões em negrito foram extraídas do Novo Testamento.
Tags: discriminação, Jesus, liberdade de expressão, morte, sociedade
maio 21st, 2008 at 21:44
Essa questão de divisão dos locais de alimentação parece constante neste blog, e ao meu ver é tempestade em copo d`água. Um colega já citou no último post, mas volto a apresentar o exemplo da APM aqui na Bahia. Há o rancho das praças, o das praças especiais (alunos-a-oficial), o dos oficiais subalternos e intermediários, e um outro dos oficiais superiores. Não me recordo de qualquer comentário local de alguém que tenha se chocado com essa simples departamentalização, afinal necessitaria de uma estrutura descomunal para abrigar tamanho efetivo em um só ambiente, e nos parece a coisa mais comum que cada um durma, acorde, utilize os banheiros e efetue refeições ao lado de quem está mais próximo, quem compartilha as mesmas situações e possui o mesmo grau de responsabilidades e poderes. Simples, sem qualquer discriminação ofensiva.
maio 22nd, 2008 at 13:06
Tudo que é imposto é discriminação. Eu não faço nenhuma questão em comer ao lado de oficiais, nenhuma mesmo. Eu também sou contra divisões. Você me fez lembrar de Martin Luther King. Nada de errado! Negros estudam numa escola, brancos em outra. Somente uma questão de departamentalização da cor, estratificação espaço-racial! Nada de errado!
Eu vejo que aí na Bahia a divisão é bem grande. Eu só sabia da divisão em ranchos entre praças e oficiais, inclusive os cadetes e alunos a oficiais comiam no local destinado aos praças. Minha opinião e de que cada um deve se alimentar onde quiser e com quem quiser. Por que um coronel não pode fazer refeição ao lado de um soldado. E se os dois forem amigos? E se o soldado for filho do coronel? Que mal há em um oficial fazer refeição ao lado de um praça. Será que o praça tem alguma doença contagiosa? O que me causa irresignação é ver que os novos e futuros oficiais não querem mudar isso. Mas é sua opinião, e eu a respeito. A divisão nos locais de alimentação é apenas um exemplo, a ponta de um iceberg. Apenas um exemplo para reflexão. Qual o mal em se criar um único ambiente, cada um se alimentando no local que quiser, ao lado de quem quiser? Quando eu abordo a questão da divisão nos locais de alimentação, eu apenas estou dando um exemplo. Ah, já que vc tocou na questão da divisão, assim que eu tiver tempo vou fazer uma nova postagem sobre o assunto. Apenas mais um exemplo!
Finalizo te dizendo que não tenho nada pessoal contra você. Opinião é algo muito pessoal, e eu respeito a sua. Dou-lhe o parabéns por ter sido aprovado no concurso ao CFO e espero que, assim que se formar, tente fazer “os ajustes necessários” na PM. Saudações!
maio 22nd, 2008 at 14:21
Discurso de Marthin Luther King - Eu tenho um Sonho:
(…) Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais. Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça. Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!ria do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.
(…) E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:”Livre afinal, livre afinal. Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal.”
Fonte: http://www.mundonegro.com.br/noticias/?noticiaID=479
maio 28th, 2008 at 12:52
Boa Tarde!
Perdão, só hj li seu comentário (apesar de frenquentar sempre seu blog)…
Sr. Pracinha, gostaria realmente de pedir desculpas quanto ao comentário inicial… tentei realmente ler seu “conselho de coração aberto” e procurei por um conhecido que é praça na PM aqui em Resende (interior do estado) e comentei das minhas aspirações e ele ficou surpreso quando expliquei o pq de só conseguir me ver trabalhando na Policial Militar… talvez pra vc q nem me conhece, não importe muito… mas não vejo (aliás, nem quero ver) a PM como um emprego… sempre quis trabalhar com algo que me colocasse ao lado das pessoas quando ninguém mais pudesse fazer nada por elas… vc concorda que este é o seu trabalho… como não canso de repetir: a sirene para os que precisam é sinal de alívio, é socorroo chegando e não de problema… ele, como vc, foi bem claro e me abriu os olhos… isso quem faz é praça, que tá ali na rua todos os dias (se eu estiver errada, por favor me corrija)… mas O CFO, pra mim é importante pela mudança de vida que vai me causar.. mas o intuito é o mesmo se eu entrasse como praça ou cadete, o que faz diferença é a questão salarial!
De qualquer maneira adorei saber q concordamos em um ponto… estrelinha no ombro não significa nada além do reconhecimento pelo esforço daqueles dias em que seus amigos saiam e te ligavam morrendo de rir, afinal sábado a noite e vc estudando pra entrar pra PM… sei q vc sabe do que to falando! o chora de mãe quando vc larga uma pós graduação em Estudos Sociais e volta pro pré-vestibular e pra assumir que depois de 04 anos de faculdade estava no caminho errado e que a vocação era muito mais forte que a estabilidade de um emprego q no mínimo não colocaria minha vida e dos meus familiares em risco - diretamente é claro!
Peço desculpas ainda se meu comentário pareceu de alguma maneira arrogante, não era de forma nenhuma minha intenção e agradeço por abrir meus olhos quanto a humildade necessária.
Saiba q já o admirava por seus contos e ideais de honestidade… como comentei em um post anterior… e agora ainda mais pelo carinho que teve em me responder.
Obrigada pela torcida
mas ao invés de pedir que eu passe na prova, peço q reze para q Deus
me coloque em um bom caminho… ser PM só serve se eu conseguir ser uma boa PM…
desculpe mais uma vez qq mal entendido e o texto longo - foi meio q um desabafo… a pressão é grande!
Fique com Deus
maio 31st, 2008 at 20:16
Priscilla, que Deus lhe proteja na sua escolha! Obrigado pelo comentário e pelas visitas
julho 20th, 2008 at 19:12
[...] tempo atrás, eu afirmei que o pracinha é aquele policial “que sofre, que é ferido, alvejado e morto em razão de malfadadas e desastrosas decisões do…“ Hoje, analisando o trágico fato de dois policiais militares terem sido metralhados dentro [...]
agosto 31st, 2008 at 16:59
[...] os seres humanos foram criados iguais, portanto, para que separações? Vossa Magnificência me criticou quando eu fui contra a separação entre praças e oficiais no ranc…. Eu respondi, Vossa Magnificência deve se [...]
setembro 3rd, 2008 at 17:39
[...] Acusam-me de provocar divisões. Eu quero é a união. Não é porque eu critico certas coisas que quero provocar divisões. O senhor aluno-a-oficial Emmanoel Almeida disse até que os posts do meu blog eram pobres (inanes) em conteúdo. Sim, não nego. Fiz o melhor que pude, mas talvez eu não tenha conseguido alcançar o meu objetivo, que era o de fazer as pessoas, especialmente os militares, refletirem sobre os males exógenos e endógenos que afetam a PM e, conseqüentemente, a segurança da coletividade. Talvez eu tenha falado muito mais dos males endógenos. Verdade, falei das operações midiáticas que são desencadeadas como o único objetivo de promover oficiais e de lhes dar visibilidade; falei das relações escusas envolvendo oficiais e políticos, que extrapolam a prevaricação e acabam por trazer deletérias conseqüências aos praças; falei das operações fantasmas, que são determinadas pelos oficiais sem se fazer nenhum planejamento prévio e acabam por não ter nenhuma utilidade ou por colocar os praças em risco; falei da necessidade que alguns oficiais tem em controlar todos os passos do praça e acabam por trazer prejuízos ao policiamento; falei de como alguns oficiais querem fazer um policiamento privatizado, beneficiando apenas comerciantes e empresários; falei da negligência do comando, que inclusive pode matar uma criança inocente; falei de como policiais são retirados das ruas, prejudicando a segurança da comunidade, para fazerem teatro militar numa mera passagem de comando; falei de uma PM que destrói os sonhos de seus combatentes; falei de como somos desvalorizados por pessoas que deveriam nos valorizar; falei do ciclo vicioso e da lavagem cerebral que ocorre nas Loucademias, impedindo que os praças e oficiais tenham um melhor relacionamento interpessoal; falei de como os alunos dos cursos de formação das Loucademias são “extorquidos” e como isso pode suscitar o ódio pelos oficiais; falei de supostas fraudes em concursos… Acho que falei demais, não foi? Talvez eu tenha sido inconveniente. [...]
novembro 13th, 2008 at 0:28
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