Inserção, ataque e extração
Inserção, ataque e extração
Esta história é fictícia. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.
Para o Cabo Watson e o Soldado Crick, era apenas mais um turno de serviço. Para o Cadete Fabrício, não. Ele queria ação, muita ação. O cadete era ex-integrante das forças armadas, fanático por armas de fogo e por técnicas de combate. Portava consigo desde bomba de gás lacrimogêneo, binóculo, até cantil de água, tudo afixado no colete ou no cinto de guarnição. Para ele, não seria apenas mais um turno de serviço.
Depois da instrução pré-turno, os três militares embarcaram na viatura, e o cadete disse ao motorista:
- Crick, segue pro Morro Grande.
- Senhor, lá não pertence ao nosso setor de atuação. Não podemos ir lá sem a autorização do coordenador do turno, e dificilmente ele irá autorizar o deslocamento.
- Pode ir, eu assumo qualquer coisa - respondeu o cadete, determinado. Ele queria ação e achou que somente iria conseguir isso no Morro Grande, aglomerado bastante conhecido pelo alto índice de homicídios.
O Cabo Watson, militar destemido, contudo prudente, disse ao cadete:
- Se o senhor quer um pouco de ação, podemos fazer uma incursão na Favela do Cabrito, que pertence ao setor do nosso pelotão.
- Tem muito vagabundo lá?
- Bastante!
- Então toca pra lá, Crick. Vamos dar uma arrepida naquele lugar!
Crick respondeu:
- Senhor, nossa viatura é de área, e nós somos apenas três. O senhor tem certeza de que quer ir lá?
- Tenho. Não se preocupe. Nossa ação se dará em três etapas: inserção, ataque e extração.
- Como assim, senhor?
- É uma técnica utilizada pelas forças especiais. Como elas sempre operam com efetivo reduzido, elas utilizam esse estratagema. Atacam o inimigo, causando-lhe grande destruição e se retiram do local. O objetivo não é ganhar a guerra, e sim cumprir uma missão importante, como resgatar reféns, destruir radares ou depósitos de armas, eliminar o general… missões desse tipo. Entrar, atacar e sair!
- E qual é o plano? Qual seria o objetivo? - perguntou Crick.
- Vamos chegar com força total, abordar a boca-de-fumo, grampear o traficante e sair do aglomerado. Como somos apenas três, temos que chegar arrepiando. Ação vigorosa, para desestimular qualquer tipo de reação.
Considerando que era dia de semana e, por conseguinte, poucas pessoas estariam na boca-de-fumo, o cabo e o soldado não puseram óbices ao plano do cadete. Entrar, atacar e sair. Não teriam problemas.
E lá foram os três policiais. O cadete com o braço de fora da viatura, empolgado.
O alvo fora definido: a boca-de-fumo do Zé Pretinho, traficante conhecido por sempre reagir à ação policial e por ser autor de tentativas de homícidio.
A viatura se aproximou da boca-de-fumo. Cerca de cinco indivíduos estavam em suas imediações, inclusive um motoqueiro.
- Chefe, é o Zé Pretinho quem está na moto - disse Crick - Ele vai fugir. Tenho certeza. Ele sempre foge - completou.
Zé Pretinho realmente fugiu. O tirocínio de Crick era quase infalível. Ao ver a viatura se aproximando, Zé Pretinho deu partida na motocicleta e saiu em desabaladada. O cadete disse:
- Segue ele, Crick, segue ele. Ele tá bombado. Esse safado vai ver.
O Cadete Fabrício pegou a calibre 12 municiada com bala de borracha e colocou-a para fora da viatura, apoiando-a sobre o retrovisor. A viatura deslocava em disparada atrás da motocicleta. Nas curvas, os pneus cantavam e os militares sentiam o efeito da força centrífuga. Nos quebra-molas, parecia que a viatura ia pegar vôo. Os militares não iriam deixar o safado escapar, de jeito nenhum.
- Cola nesse safado, Crick, cola nele. Vou meter-lhe um tiro de bala de borracha. Quero ver se ele não pára - disse o cadete.
A viatura, com a sirene ligada, deslocando em alta velocidade, foi se aproximando da motocicleta.
- Mais perto, Crick, mais perto! É agora! - falou o cadete, decidido a pôr um fim naquela perseguição.
O cadete acionou a tecla do gatilho da escopeta calibre 12 fazendo com que os projéteis de borracha atingissem em cheio o capacete do fugitivo, que caiu da motocicleta no mesmo instante em que sentiu o impacto na cabeça. Zé Pretinho rolou pela via e por ali ficou estirado, mas com vida. Vazo ruim não quebra. Os militares desembarcaram da viatura, determinaram que Zé Pretinho colocasse as mãos no capacete, algemaram-no e deram-lhe busca pessoal, sendo encontrado um revólver em sua cintura e vinte papelotes de cocaína no bolso da calça. Estava caracterizado o flagrante.
A moto foi apreendida e rebocada; Zé Pretinho foi medicado e, em seguida, apresentado ao delegado, que o autuou em flagrante por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Para os militares, sentimento de dever cumprindo; um traficante e homicida retirado das ruas por algum tempo.
Saindo da delegacia, o cadete disse para os outros militares:
- E aí. . . Que tal outra inserção, ataque e extração na Favela do Cabrito?
Autor: Pracinha
Tags: ação vigorosa, arma, cadete, favela, tirocínio
junho 23rd, 2008 at 19:16
e isso ai historia boa sempre acontece dessas ai aqui na 16 cipm.so achei que esse cadete foi muit inconsequente devendo os praça vei orienta lo a pedir pelo menos o apoio de mais uma vtr sorte e graças a deus que terminou tudo newwww ass;sd lobo solitario ,ap gyn
junho 23rd, 2008 at 21:19
Ótimo conto! De arrepiar mesmo! Parabéns!
junho 24th, 2008 at 14:31
amigo pracinha. agora soldadopi é STIVE. é bem verdade que ainda estou dominando as ferramentas mas, tá bacana demais!!! puxa vida!!!
junho 27th, 2008 at 14:12
Essa história parece com uma que eu conheço…rá…rá…rá…
junho 27th, 2008 at 14:13
Será…
junho 27th, 2008 at 15:12
Alemão, obrigado pela visita e pelo comentário. Gostaria de saber onde aconteceu essa história que voçê disse que conhece. Eu escrevi a história inspirado num fato que me foi contado por um amigo de um cadete, cujo nome ele não me revelou. Será que é o mesmo fato? Se não for, peço que faça um comentário no blog dizendo o que aconteceu de diferente, e qual foi o desfecho da ocorrência. Talvez o motoqueiro fugitivo não tenha sido conduzido à delegacia, ou tenha acontecido algo de diferente…
Dê uma visitada na página contos e crônicas; tem mais histórias por lá.
http://pracinha.stive.com.br/contos-e-cronicas/
julho 1st, 2008 at 17:10
Realmente o fim da história está um pouco diferente…sem comentários!…
setembro 3rd, 2008 at 17:49
[...] Entretanto, eu também falei dos males exógenos. Falei das duas principais causas da violência no Brasil: Narcotráfico e impunidade. Também falei sobre como nasce, cresce e morre um bandido, sobre o dia-a-dia de uma rapinha, sobre a motivação de um cadete… [...]