Condicionamento mental e treinamento

O Sargento Lago, num comentário feito em seu blog, disse uma frase que me fez refletir: “a adrenalina já começa no momento de sair de casa.”

Fez-me refletir principalmente acerca do condiciomento mental e do treinamento, visto que o sucesso ou o fracasso de uma intervenção policial dependem desses dois elementos.

O treinamento começa nos cursos de formação e deve se estender por toda a carreira do policial, para que os conhecimentos não sejam esquecidos. Três disciplinas, fundamentalmente, devem ser treinadas em demasia: técnica policial, defesa pessoal e tiro. O domínio dessas disciplinas podem salvar a vida do policial ou dar um desfecho menos traumático para a ocorrência policial.

As técnicas de defesa pessoal, de abordagem e de adentramento tático, por exemplo, devem ser treinadas a ponto de se tornarem automáticas. E, para obter esse resultado, a receita é treino, treino, treino e treino.

Mas nem todas as situações são possíveis de serem ensaiadas. Que fazer nesses casos? A resposta está na preparação/condicionamento mental.

Ainda em casa, vestindo a farda, o policial já deve se preparar mentalmente para o serviço. Deve visualizar situações e criar respostas adequadas: intervenção verbal, força física, força letal ou até mesmo uma retirada tática. Também é importante discutir com os colegas sobre o que fazer nessas situações. Ainda, para que a situação não se apresente completamente nova, é importante fazer simulações em grupo ou sozinho, tendo como exemplos casos reais ou hipotéticos.

Outra preparação mental importante, e esta não se encontra nos manuais, tendo em vista que é própria da personalidade de cada um, é a que eu chamo de preparação motivacional, a qual consiste em o próprio policial injetar em si uma carga de adrenalina. Poderia também ser definida como automotivação. Na prática, seria o policial já sair do quartel querendo abordar pessoas e veículos suspeitos, fazer operações contra o tráfico de drogas, jogos ilegais, etc.

Essa preparação motivacional e auto-injeção de adrenalina independe de o policial ser ou não de grupamentos/batalhões especializados. Ela é própria do bom policial, daquele que é vocacionado, proativo e que gosta de adrenalina.

Referência: Manual de prática policial da PMMG, volume 1.

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6 Responses to “Condicionamento mental e treinamento”

  1. soldadopi Says:

    meu amigo pracinha. concordo com o ponto de vista que o policial deve estar sempre preparado ou pelo menos se preparando, se condicionando. mas, infelizmente, a realidade da segurança publica é outra. vou contar uma coisa do Piaui. Voce lembra da quantidade de munição que policial sai pra trabalhar em alguns batalhoes aki do Piaui, né? Se o PM nao quiser ser morto arruma umas ‘balinhas’ pra quando chegar na hora H a pouca municao velha nao o deixar na mao. E, isso, caro pracinha foi denunciado mas, infelizmente, é governo, né meu amigo. As vezes ouça companheiros meus falar coisas do tipo: “… é… vai se acostumando…” A PM tem 173 anos e nao mudou até hoje…” e fico triste, nao desanimado, mas, triste. Porque a Policia Militar do Piaui não merece ser ridicularizada e sim quem deixa esse tipo de coisa acontecer. EX: Vamos atrás do responsável de nao ter muniçao! Vamos apurar as responsabilidades se algum dinheiro desapareceu da mesma forma que se apura uma denuncia contra um praça! … No final das contas nós veremos que é o homem que estraga tudo. Confesso pra vc uma coisa pracinha. A “saliencia” tá demais na nossa regiao, sabe? a profissao POLICIAL em nosso PAIS é uma profissao de ALTO RISCO. Gostei muito do seu artigo.

  2. Pracinha Says:

    Soldadopi, obrigado pela visita e pelo comentário. Fiquei muito feliz em saber que você gostou deste artigo. Estou sempre visitando seu blog:
    http://soldadopi.stive.com.br/

  3. soldadopi Says:

    meu amigo, ultimamente vc tá tao calado. o que houve?

  4. Pracinha Says:

    Estou atarefado até o pescoço. Vou ficar sumido por uns dias, mas vou retornar. Obrigado pela atenção.

  5. Cabo ALEX Says:

    Olá amigos, estou sempre acompanhando as matérias e comentários neste blog, contudo, esta é minha primeira vez comentando, é que eu não consigo mais ligar a televisão e ver os jornais veicularem a notícia de que os policiais militares do Rio de Janeiro são mal preparados. Agora, qualquer um que dê entrevista se alto intitula : “Especialista em segurança pública” e tem a fórmula mágica para a solução da crise na segurança pública. Desculpem-me o tom de desabafo e eu que nem sequer me apresentei. Bem, sou Cabo da Polícia Militar de Minas Gerais , com treze anos de serviço ( treze anos de serviço exclusivamente tirados na rua ) e acho que posso opinar algo quanto a preparação do policial. Eu me lembro bem que ao fazer a inscrição para o concurso público para a polícia militar, isto em 1995, eu pensei: “Vou aprender tudo sobre armamento e tiro, tudo e mais um pouco sobre defesa pessoal, e ser um especialista em abordagem”. A ilusão durou pouco, no curso, me deram um fuzil, me ensinaram a marchar, a fazer continência, a rasteijar, a passar pela barraca de gás e o pior, os policiais mais antigos, sem culpa alguma só querendo ajudar, talvês foi isso que eles aprenderam, me diziam: “Na polícia você não precisa aprender a fazer nada, basta saber dizer SIM SENHOR e NÃO SENHOR, isto já basta. Então eu me formei após nove meses, especialista em fazer “sapa” (aqui na pm de Minas “sapa” é o nome que se dá à faxina), em fazer continência e o principal, a dizer SIM SENHOR e NÃO SENHOR. E então quando você esta na rua, a sociedade e o comando exigem de você, tudo aquilo que você não aprendeu, o culpado de você não saber é sua e só sua. A culpa não é da PM que insiste em adotar um modelo policial ultrapassado, que teme por perder a autoridade entre muros e lhe ensina a ser mais militar que policial, que nem sequer tem uma identidade própria, adotando doutrinas, ritos e manias das forças armadas, tendo assim uma crise de identidade terrível, não sabe se quer ser polícia ou se que ser militar, que trata o subordinado como lixo, como cidadão de terceira categoria, lhe abstendo dos direitos humanos mais simples e exige que o subordinado trate o cidadão o melhor possível. Chega amigos, se a culpa é de alguem, ela não é nossa, ela não é daqueles dois policiais cariocas, nós e eles, aprendemos o que nos foi ensinado e o mais que sabemos foi porque pagamos cursos extra polícia dos nossos bolsos. ENQUANTO AS POLÍCIAS MILITARES DE TODO O BRASIL, NÃO DECIDIREM O QUE QUEREM SER, ENQUANTO OS NOSSOS COMANDANTES NÃO DEIXAREM DE LADO INTERESSES PESSOAIS E PASSAREM A LUTAR POR UMA CLASSE MAIS BEM PAGA, MAIS BEM FORMADA E TREINADA, NÓS ESTAREMOS NAS MANCHETES DOS JORNAIS SENDO MASSACRADOS PELA MÍDIA. Um abraço e me desculpem.

  6. Glenda Savage Says:

    k882htpfye3mqcfz

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