Auto-acusação
As autoridades do Rio de Janeiro estão atirando contra o próprio pé. Parece que estão desnorteadas. Por último, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, acusou os policiais militares do caso João Roberto de serem insanos e débeis mentais. Se eu fosse repórter, perguntaria para o secretário de segurança e para o governadador: Os policiais militares não fizeram exame psicológico para ingressar na PM? Se fizeram, como o senhor os acusa de serem insanos e débeis mentais? Não foram os senhores que os selecionaram, que os admitiram na corporação?
O secretário estadual de segurança pública inclusive já reconheceu que os policiais são despreparados e mal treinandos. Aí eu pergunto: Não é o secretário que é responsavel pelo treinamento dos policiais? Eu estou notando que as autoridades estão se auto-acusando. Isso é bom, porque de uma certa forma estão admitindo a realidade da polícia.
Na última entrevista que eu assisti do Beltrame, no progama “Mais Você”, ele falou muitas coisas bonitas, fez muitas promessas, mas em momento algum falou em aumento para os policiais. Como ele quer promover segurança sem valorizar o profissional? Impossível!
Este caso João Roberto ainda deve dar muitas reviravoltas. Eu espero que pelo menos sirva de lição. Espero que o governo entenda que deve investir mais no treinamento dos policiais. Mas que se invista em treinamentos realmente necessários. Eu não agüento mais ter aula de Polícia Comunitária! Eu gostaria que se investisse em treinamentos verdadeiramente importantes para o policial, como aulas de técnicas policiais ( abordagem, adentramento tático, gerenciamento de crises… ), armamento, tiro, defesa pessoal e legislação aplicada. Espero também que os oficiais acordem e parem de achar natural treinamentos do tipo humilhação. Humilhação não é treinamento, é lavagem cerebral!
Estamos vivendo um momento histórico. A verdade está sendo descortinada; as máscaras estão caindo. Que venham as mudanças, e que venham para melhor!
Tags: oficiais, treinamento
julho 10th, 2008 at 22:29
concordo com vc e vi na tv tambem uma reporter comentar se entao se eeles estavam mesmo mal preparados se não era dever do secretario investir mais em treinamento. se eles não roubassem tanto sobrava dinheiro para valorizar o PM. pois e um absurdo um SD do DF ganhar R$3500,00 e um SD do RJ e SP ganhar em torno de R$870,00, sendo que a criminalidade nos dois estados são maiores do que no DF.abraço a todos
julho 10th, 2008 at 22:33
parabens pelo artigo. ESSES SIM são os ESPECIALISTAS em SEGURANÇA PUBLICA!
julho 11th, 2008 at 12:25
E se os policiais tivessem morrido?
* José Ricardo
Numa cidade muito distante daqui, na qual bandidos utilizavam armas de guerra e adotavam táticas de guerrilha, dois policiais mal pagos e, segundo o secretário estadual de segurança pública, despreparados e mal treinados, encontravam-se dentro de uma viatura policial. A rede de rádio estava tumultuada. Informações desencontradas eram passadas a todo momento. De acordo com as primeiras informações, quatro bandidos armados de fuzis estariam fugindo em alta velocidade num veículo escuro. Ainda não se sabia ao certo o modelo e a placa do automóvel; mesmo se essas informações fossem conhecidas, nada impedia que os bandidos trocassem de automóvel para despistar a polícia.
Apesar de serem mal pagos, os policiais queriam encontrar os bandidos e prendê-los. Mesmo sabendo que um tiro de fuzil transfixaria a viatura de um lado a outro com a maior facilidade, os policiais estavam empenhados no rastreamento ao veículo ocupado por quatro bandidos armados de fuzis. Quatro contra dois. Onde estava a supremacia de força?
De repente, os policiais vêem um automóvel de cor escura trafegando em alta velocidade. Devido à escuridão da noite e em razão da velocidade em que os bandidos fugiam, os policiais não conseguiram ver com precisão o modelo certo do veículo. Viram apenas um vulto de um automóvel deslocando em disparada. Os policiais imediatamente iniciaram o acompanhamento visual do veículo, que continuou deslocando em altíssima velocidade. O automóvel realizou diversas ultrapassagens, confundindo os policiais. Os bandidos dispararam seus fuzis, com o objetivo de intimidá-los. Os policiais, de forma heróica, continuaram tentando acompanhar visualmente o veículo dos bandidos.
Estranhamente, um veículo escuro parou. Os policiais acreditaram que fosse o automóvel dos bandidos e sentiram o cheiro da morte se aproximando. Pensaram na possibilidade de rajadas vindas do interior do automóvel lhe tirarem a vida. Simples rajadas disparadas por cada um dos bandidos não lhes dariam a mínima chance de reação. Quatro contra dois; estavam sem supremacia de força. A adrenalina dos policiais subiu a níveis insólitos. O coração deles parecia que ia sair pela boca. Simples rajadas disparadas pelos quatro bandidos, e os dois policiais morreriam perfurados tal qual uma peneira.
Ninguém se movimentou no automóvel que parou. Um policial desceu da viatura, gritando para o companheiro:
- Pede apoio! Pede apoio! Fala que localizamos o veículo!
A rede de rádio continuava tumultuada. Enquanto um policial tentava pedir reforço, o outro corajosamente se aproximou do automóvel dos bandidos. Abrigou-se atrás de um poste e verbalizou:
- É a polícia! Saiam do veículo com as mãos levantadas! - o vidro escuro impedia que ele tivesse qualquer visão do interior do automóvel. - Saiam com as mãos levantadas - determinou novamente.
Nada. Nenhum movimento. Percebendo o risco ao qual estava exposto, o policial recuou em direção da viatura, momento em que os quatro bandidos dispararam simultaneamente seus fuzis em direção dos dois policiais. Estes ainda tentaram reagir, efetuando disparos a esmo. Mas as rajadas de fuzis deixaram seus corpos perfurados tal qual peneira. Tombaram quase que instantaneamente.
Os bandidos desceram do automóvel, abordaram um veículo que parou em virtude do tiroteio, mandaram o motorista descer e fugiram, deixando para trás dois policiais metralhados, sem vida. Dois pais de família, mal pagos e, segundo o secretário de segurança, mal preparados e mal treinados. Dois policiais que sacrificaram a própria vida para servir e proteger o cidadão de bem.
Sobre a morte dos policiais, foi publicado apenas notas de rodapé pelos jornais. Dois policiais são mortos em confronto com bandidos, eram os títulos das notícias de pouquíssimas linhas. Não houve nenhuma repercussão na mídia nem na opinião pública. Ninguém da impressa polemizou a morte dos dois agentes da lei que morreram no cumprimento da missão. Nunca mais se falou no assunto.
Nota: Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.
julho 11th, 2008 at 12:30
convoco a todos a não fazerem mais nada, assim não seremos presos…
ganho pouco, trabalho pouco!
não quero ir pra cadeia… deixem a a pf que ganha muito bem suba o morro e vá pegar os traficantes, msm pq são eles quem deixam as armas entrarem…
eu vou ficar na minha… só esperando o tempo passar…
viva o “seu cabral”!!!
julho 14th, 2008 at 17:05
POLICIAIS “INSANOS”?
Insano… que tem por sinônimo dentre outros significados: louco, demente, maníaco, psicopata. Esse foi o adjetivo atribuído pelo Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, aos policiais militares que confundiram o veículo da família de um taxista com o carro de assaltantes, erro que resultou na morte de uma criança de 03 anos de idade.
Não estou aqui para defender os perpetradores da ação, porque nada que eu tentasse argumentar, justificaria a atuação desastrosa daqueles policiais, haja vista, que dos encarregados que tem o dever legal de zelar pela manutenção da ordem, não se pode exigir menos que o absoluto cumprimento das leis. Contudo, nem por isso, posso calar-me ao ver veicular na mídia o conspícuo Secretário, titulando aqueles infelizes policiais de “Insanos”.
É bom lembrarmos que erros acontecem. Se voltarmos a alguns meses atrás, podemos citar o que ocorreu com a Polícia da Inglaterra, que é considerada uma das melhores Polícias do mundo, que inclusive, por infelicidade o erro causou a morte de mais um brasileiro, contudo, nem por isso aqueles profissionais foram chamados de insanos por seus representantes.
É lamentável e revoltoso, assistir o alto Escalão da Força Pública Estadual prestando declarações desprezíveis sobre seus combatentes, chamando-os de “insanos”, esquecendo que os policiais, na ocasião, representavam seu Estado. Será que o brioso Secretário, esqueceu-se que essa atitude desrespeitosa só serve para corroborar a falência de sua própria política de segurança?
É isso mesmo, não podemos imputar culpabilidade desse desastroso acontecimento somente no âmbito dos policiais que participaram diretamente dos fatos, pois no meu entendimento, essa ação também é fruto da política adotada por aquele Estado, que figura-se diuturnamente nas páginas policiais, como a POLÍTICA DO CONFRONTO (Polícia x traficante).
Se o Estado adota a política de confronto e cobra resultados a qualquer custo sob a ótica de fazer segurança pública, logicamente, não raras vezes teremos situações lamentáveis com dano irreversível à sociedade, como a que acaba de acontecer.
A meu ver, a política de confronto implementada pelo Estado do Rio contribuiu consideravelmente para o resultado do episódio trazido à baila, ou seja, o fato dos policiais interiorizarem esse modelo de atuação possivelmente levou-os a cometerem esse ERRO calamitoso.
O que não consigo entender é que quando as ações policiais defluem bons resultados, a polícia vira manchete de cunho político sob diversas circunstâncias, com parcela heróica ao policial. No entanto, do dia pra noite, os mesmos heróis, em decorrência de um erro cometido em razão de sua função viram “insanos”, dementes os quais têm que ser banidos da Instituição Policial conforme declarou o Secretário de Segurança do Rio, no dia 10jul08, durante conversa com uma apresentadora de televisão.
Na verdade erraram e terão que ser penalizados, porém, não podemos esquecer que erraram tentando acertar. Talvez, o maior erro de suas vidas não fosse à catastrófica atuação, mas o dia em que decidiram entrar para as forças policiais, consolidando o compromisso de pagar o preço, inclusive, com o sacrifício de sua própria vida.
Afinal, quem são realmente os “insanos” do momento? Os policiais que assumiram o risco e cometeram um erro fatal, ou os formadores de opiniões do colarinho branco que implementaram a política de confronto constante, entre policiais e traficantes, levando seus agentes de segurança à leviana impressão de sentimento de justiça com esta postura?
O que mais me intriga é que nunca vi o Secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, quando teve algum policial tombado em combate por traficantes, dirigir-se em rede nacional e atribuir aos praticantes dos atos anti-socais o adjetivo de “insanos” por trucidarem Policiais.
Em suma, no fundo, talvez o Secretário tenha razão, o cidadão que escolhe como profissão presenciar tragédias sem poder comover, socorrer enfermos sem poder sofrer, estar acordado enquanto todos dormem, ser punido no reino da impunidade, conviver com a inversão de valores sociais, só pode ser louco, demente, maníaco, psicopata, só pode ser… um “insano”.
Sidney Gomes Ferreira
Minas Gerais
julho 29th, 2008 at 17:46
[...] eu tenho. Policiais pessimamente mal remunerados, gordas gratificações apenas para alguns cargos, secretário de segurança pública se auto-acusando, traficantes dominando territórios e decidindo eleições, mílicias formadas por agentes de [...]
novembro 12th, 2008 at 20:56
y2wrmtjn26vglkb4