Mais um comentário interessante
Recebi um comentário, ou melhor, uma história fictícia bem interessante. Ela aborda a questão da morte de policiais e deixa uma pergunta aos leitores: Se os policiais tivessem morrido, qual seria a repercussão na mídia e na opinião pública? Leiam:
E se os policiais tivessem morrido?
* José Ricardo
Numa cidade muito distante daqui, na qual bandidos utilizavam armas de guerra e adotavam táticas de guerrilha, dois policiais mal pagos e, segundo o secretário estadual de segurança pública, despreparados e mal treinados, encontravam-se dentro de uma viatura policial. A rede de rádio estava tumultuada. Informações desencontradas eram passadas a todo momento. De acordo com as primeiras informações, quatro bandidos armados de fuzis estariam fugindo em alta velocidade num veículo escuro. Ainda não se sabia ao certo o modelo e a placa do automóvel; mesmo se essas informações fossem conhecidas, nada impedia que os bandidos trocassem de veículo para despistar a polícia.
Apesar de serem mal pagos, os policiais queriam encontrar os bandidos e prendê-los. Mesmo sabendo que um tiro de fuzil transfixaria a viatura de um lado a outro com a maior facilidade, os policiais estavam empenhados no rastreamento ao veículo ocupado por quatro bandidos armados de fuzis. Quatro contra dois. Onde estava a supremacia de força?
De repente, os policiais vêem um automóvel de cor escura trafegando em alta velocidade. Devido à escuridão da noite e em razão da velocidade em que os bandidos fugiam, os policiais não conseguiram ver com precisão o modelo certo do veículo. Viram apenas um vulto de um automóvel deslocando em disparada. Os policiais imediatamente iniciaram o acompanhamento visual do veículo, que continuou deslocando em altíssima velocidade. O automóvel realizou diversas ultrapassagens, confundindo os policiais. Os bandidos dispararam seus fuzis, com o objetivo de intimidá-los. Os policiais, de forma heróica, continuaram tentando acompanhar visualmente o veículo dos bandidos.
Estranhamente, um veículo escuro parou. Os policiais acreditaram que fosse o automóvel dos bandidos e sentiram o cheiro da morte se aproximando. Pensaram na possibilidade de rajadas vindas do interior do automóvel lhe tirarem a vida. Simples rajadas disparadas por cada um dos bandidos não lhes dariam a mínima chance de reação. Quatro contra dois; estavam sem supremacia de força. A adrenalina dos policiais subiu a níveis insólitos. O coração deles parecia que ia sair pela boca. Simples rajadas disparadas pelos quatro bandidos, e os dois policiais morreriam perfurados tal qual uma peneira.
Ninguém se movimentou no automóvel que parou. Um policial desceu da viatura, gritando para o companheiro:
- Pede apoio! Pede apoio! Fala que localizamos o veículo!
A rede de rádio continuava tumultuada. Enquanto um policial tentava pedir reforço, o outro corajosamente se aproximou do automóvel dos bandidos. Abrigou-se atrás de um poste e verbalizou:
- É a polícia! Saiam do veículo com as mãos levantadas! - o vidro escuro impedia que ele tivesse qualquer visão do interior do automóvel. - Saiam com as mãos levantadas - determinou novamente.
Nada. Nenhum movimento. Percebendo o risco ao qual estava exposto, o policial recuou em direção da viatura, momento em que os quatro bandidos dispararam simultaneamente seus fuzis em direção dos dois policiais. Estes ainda tentaram reagir, efetuando disparos a esmo. Mas as rajadas de fuzis deixaram seus corpos perfurados tal qual peneira. Tombaram quase que instantaneamente.
Os bandidos desceram do automóvel, abordaram um veículo que parou em virtude do tiroteio, mandaram o motorista descer e fugiram, deixando para trás dois policiais metralhados, sem vida. Dois pais de família, mal pagos e, segundo o secretário de segurança, mal preparados e mal treinados. Dois policiais que sacrificaram a própria vida para servir e proteger o cidadão de bem.
Sobre a morte dos policiais, foi publicado apenas notas de rodapé pelos jornais. Dois policiais são mortos em confronto com bandidos, eram os títulos das notícias de pouquíssimas linhas. Não houve nenhuma repercussão na mídia nem na opinião pública. Ninguém da impressa polemizou a morte dos dois agentes da lei que morreram no cumprimento da missão. Nunca mais se falou no assunto.
Nota: Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.
Tags: Atividade policial, Contos, treinamento
julho 11th, 2008 at 19:19
Com certeza, se fossem vitimados PMs a atenção seria infinitamente inferior. Citei o blog do Pracinha no último post do Blitz Policial.
julho 12th, 2008 at 0:27
Meu amigo pracinha. Ô vida dificil… Se o policial acerta: aplausos pro comandante, secretario, governador… Se deu errado: “cassete”! Ufa!
julho 12th, 2008 at 12:13
Victor, obrigado pelo link.
Para ler a postagem do aluno a oficial Victor, clique no link abaixo:
http://blitzpolicial.blogspot.com/2008/07/rio.html
julho 15th, 2008 at 14:55
Concordo plenamente com o amigo soldadopi, ô vida difícil. Sem as mínimas condições de trabalho, sem valorização do comando e sem reconhecimento da sociedade, o PM deixa a sua família na proteção de DEUS e vai à luta na defesa de outras famílias, de dia, à noite, nos feriados e finais de semana, no dia do aniversário do filho, no seu aniversário de casamento, no calor imenso ou no frio insuportável e, quando em um ato de puro amor ao que ele acredita, em um ato de heroísmo, ele faz a coisa certa, o comandante, o secretário, o governador…aparecem na mídia e batem no peito dizendo que a instituição por eles dirigida tem todo o crédito. E o policial, que é apenas um número, tampouco é mencionado. Agora se der errado meu amigo, a culpa é única e exclusivamente do policial fulano de tal que não cumpriu com as determinações e com as normas de ação de uma instituição bicentenária, que é referência na prestação de serviço de segurança pública, que possui várias passagens históricas de atos de heroísmo e dedicação à sociedade e que em momento algum compactua com tais tipos de atitudes. A VERDADE É SÓ UMA: NÓS TRABALHAMOS SOMENTE POR AMOR AO SERVIÇO POLICIAL, PORQUE NÓS NÃO SOMOS RECONHECIDOS, NÃO SOMOS VALORIZADOS, SOMOS MUITO MAL PAGOS E QUEM RECEBE ELOGIOS, PROMOÇÕES, CASA FUNCIONAL PARA MORAR SÃO OS NOSSOS COMANDANTES, QUE FICAM TODA A CARREIRA SENTADOS ATRÁS DE UMA MESA, EM UM GABINETE COM AR CONDICIONADO, COM AR DE SEMI-DEUSES E CAGANDO ORDENS, QUE TÊM UMA ETERNIDADE PARA JULGAR UM ATO QUE O POLICIAL NA RUA, TEVE FRAÇÕES DE SEGUNDOS PARA DECIDIR O QUE FAZER, ESTANDO MUITAS DAS VEZES ENTRE A VIDA E A MORTE. Enquanto nós, policiais militares, não reconhecermos o nosso real valor, não seremos reconhecidos. Imaginem os senhores, se um dia nós resolvéssemos fazer o que todo mundo faz, fazer como se não tivesse visto o traficante traficar, o ladrão furtar ou estar com objeto de furto, o motorista dirigir embriagado, as gangues tomarem conta das ruas, quando tudo virar um caos, aí a populãção vai clamar por nossos valoroso serviço, o comando nos respeitará como os homens que somos e o governo passará a nos valorizar. SÓ SE DÁ VALOR AO QUE SE PERDE. Um forte abraço.
julho 15th, 2008 at 14:57
Nós não sabemos a força que temos. SOMOS COMO OS ELEFANTES, QUE DERRUBAM CASAS, MAS SÃO PRESOS POR UMA PEQUENA ESTACA DE MADEIRA FINCADA NO CHÃO.
julho 17th, 2008 at 12:00
E, aconteceu meu amigo… infelizmente. Lendo o site da uol hoje cedo consegui ver a “manchete” com o auxílio de uma lupa!!! “Pms são metralhados e mortos dentro do carro no RJ”. E como se não bastasse tanta violência, na mesma notícia ‘ 4 pessoas feridas em troca de tiros entre policiais e supostos traficantes, entre elas um ambulante e sua filha, o ambulante morreu. Essa última notícia sim, o site dedicou mais linhas.
julho 17th, 2008 at 16:48
Infelizmente, nem sempre qualquer semelhança é mera coincidência. Será que a mídia vai polemizar a morte dos dois policiais?
julho 31st, 2008 at 15:30
Olá, parabéns pelo blog
Coloquei um link no 89 comando
Obrigado!
89 Comando o Blog Policial de Anápolis-GO
julho 31st, 2008 at 15:31
89 Comando o Blog Policial de Anápolis-GO
http://www.pmgo-anapolis.blogspot.com/
novembro 12th, 2008 at 22:41
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