Parodiando Maquiavel

Nota: Acolhendo as criticas do senhor aluno-a-oficial Danillo Ferreira, que considerou irônico e sarcástico o pronome de tratamento “Vossa Magnificência”, fizemos algumas alterações na postagem original.

De Pracinha, um zero a esquerda

Para Sua Magnificência o senhor aluno-a-oficial Víctor Fonseca

Vossa Magnificência Senhor, jamais quero que pense que um homem de reles e modesta condição fosse imputada a presunção de ousar discorrer sobre a conduta de um futuro oficial…

Vossa Magnificência O senhor afirma ser um seguidor ipsis literis do sistema arcaico do militarismo, mas eu não entendo o porquê? Vivemos no século XXI, fazemos parte de uma instituição que trabalha para a comunidade.

Magnificência Senhor, não pense que eu lhe quero mal. Desejo-lhe todo o bem, mas não percebo o bem em Vossa Magnificência Vossa Senhoria. É tão bom termos amigos na instituição, sejam eles subordinados, pares ou superiores. Vossa Magnificência O senhor perceberá que, na rua, o militarismo já está quase extinto. Sua forma rudimentar e jurássica somente existe nas loucademias, onde persiste o ciclo vicioso, e na administração de algumas Unidades. Na rua, temos que ser companheiros, um salvando a vida do outro, seja superior ou inferior.

Magnificência Senhor, eu já ouvi tantos casos de praças que deixaram oficiais carrascos, seguidores ipsis literis do militarismo, em situações de dificuldade na rua. Não queira fazer parte dessa estatística.

Magnificência Senhor, é tão fácil comandar sem regulamento, sem militarismo. É tão bom ouvir um “oi” ou receber um aperto de mão sincero de um companheiro. É muito melhor do que uma continência forçada. Mil vezes melhor.

Magnificência Senhor, os seres humanos foram criados iguais, portanto, para que separações? Vossa Magnificência O Senhor me criticou quando eu fui contra a separação entre praças e oficiais no rancho. Eu respondi, Vossa Magnificência o senhor deve se lembrar.

Vossa Magnificência O senhor é a favor de humilhações como as que ocorrem nesse vídeo e afirma que existem situações nas quais elas são são válidas. É a sua magnânima ilustre opinião, discordo, mas respeito. Por suas magnânimas ilustres considerações, o Sargento França, no Blog RDPM-Queremos Mudanças, respondeu (o texto é meio pesado, mas vale a pena recordar). Também Vossa Magnificência Vossa Senhoria foi criticado aqui pelo pitaco que deu sobre o vídeo.

A Sua Magnificência O senhor aluno-a-oficial Emmanoel Almeida também me criticou, dizendo que eu deveria fazer um curso de oficial para falar com mais propriedade sobre segurança pública. Eu aceitei a crítica, mas não entendi como um teólogo, seguidor de Cristo, critica uma pessoa porque ela não tem o diploma de Doutor da Lei. Será que ele não fez tal qual aqueles que crucificaram Jesus?

Por último, Vossa Magnificência Vossa Senhoria posta uma imagem (montada) semelhante a uma divisa de soldado com as seguintes inscrições: ZERO A ESQUERDA. ESTACA ZERO. O título da postagem na qual a imagem está é “Status“. Vossa Magnificência O senhor não acha que o status do soldado é o que eu estou pensando, acha?

Portanto, quero dizer a Vossa Magnificência Vossa senhoria que um homem de bem deve se inspirar nos ensinamentos de Jesus, que chamou seus discípulos de amigos, que lavou seus pés, e que disse que o maior é aquele que serve, porque Ele veio para servir.

Como estamos parodiando Maquiável, lembre-se também do ensinamento dele: “Aqueles que fazem-se príncipes mercê das suas virtudes conquistam com dificuldade os seus principados, mas com facilidade os podem conservar.”

Fraternais saudações de um Pracinha, um zero a esquerda.

6 Responses to “Parodiando Maquiavel”

  1. Mônica Says:

    Pracinha, vou colocar seu texto no Praças da PMERJ, espero que não se importe. Se tiver qualquer coisa contra mande uma mensagem que eu de pronto retiro a postagem. Abraço

  2. Danillo Ferreira Says:

    Pracinha…

    Como você, tenho reservas ao militarismo nas polícias (se já leu algum texto meu no Abordagem, deve ter percebido) - pelo menos esse militarismo ligado às Forças Armadas. Em verdade, o que se percebe é algo como um “militarismo seletivo”, onde aplicamos parcialmente a doutrina e a legislação militar, até mesmo em virtude da diferença entre nossa atividade e a do Exército Brasileiro. Mas lamento esse texto seu.

    A expressão de uma discordância por sua parte é algo válido e deve ser motivado, mas o tom irônico que você usou só faz trazer desconforto - e aqui não estou levando em consideração posto ou graduação ou qualquer outra entidade abstrata que os homens inventam para se sentirem “superiores” ou “vítimas” dos outros.

    O indivíduo que se entende “superior” por ser tenente, sargento ou coronel, está abraçando um status meramente funcional como se fosse pessoal. A prática, como você sabe, mostra a esses indivíduos que outros muitos fatores importam mais do que essa designação hierárquica. A patente está mais no grau de competência do que em outra coisa (quantos sargentos não conseguem motivar a tropa mais do que alguns capitães ou majores?).

    Tão execrável quanto a figura do “superior” é o da “vítima”, que justifica sua inanição com uma suposta opressão dos “superiores”. Pior ainda: usam desses conceitos para dividir corporações quando do que mais precisamos é de união, maior do que a que atualmente existe entre os criminosos.

    “Praças” e “Oficiais” são policiais, servidores públicos. Individualmente, cada um irá se impor conforme sua competência, seus conhecimentos e habilidades. Chamar o Victor e o Emmanoel de “Vossa Magnificência” pouco ajuda na melhoria de nossas polícias e da segurança pública - ao contrário, nos afasta ainda mais. Enquanto estamos nos degladiando internamente, outros setores se organizam e tomam nosso espaço. Vamos debater com argumentos, dentro duma lógica, utilizando o respeito. Se há alguma postura de “superior” nos escritos deles cabe a refutação nesses termos, não o sarcasmo incendiário.

  3. pracinha Says:

    Senhor aluno-a-oficial Danillo Ferreira, eu apenas parodiei Nicolau Maquiavel, que abre o livro O Princípe assim:”De Nicolau Maquiavel para o Magnífico Lourenço de Medicis”. Nas linhas seguintes, ele usa diversas vezes a expressão Vossa Magnificência. Foi apenas uma paródia. E quanto a imagem montada semelhante a divisa de soldado com as expressões: “ZERO A ESQUERDA”, “ESTACA ZERO”, o que o senhor tem a dizer?

    Reafirmo que quero todo o bem ao senhor aluno-a-oficil Victor Fonseca, assim como ao senhor aluno-a-oficial Emmanoel Almeida. Apenas quis lhes oferecer, assim como fez Nicolau Maquiavel para o Magnífico Lourenço de Medicis, um texto para refletirem.

    Reiterando, a expressão Vossa Magnificência foi extraída do livro O Príncipe.

    Sobre ironias e sarcasmos, realmente muitas pessoas não gostam. Veja o exemplo do programa CQC, que foi proibido de entrar no Congresso.

    Fraternais saudações a todos os alunos-a-oficiais da PM da Bahia.

  4. Danillo Ferreira Says:

    Não sei se a montagem que o Victor fez teve a intenção que você entendeu que tem. Se tiver, é lamentável. Eu mesmo não tinha percebido isso, mesmo tendo visto a montagem antes do seu texto. Vou perguntar pessoalmente a ele.

    Quanto ao tratamento que você utiliza, de “senhor aluno-a-oficial”, para mim tem pouca importância. Se não consigo adquirir o seu respeito por minhas posturas e opiniões, não vai ser um mero designativo que irão fazê-lo.

    Quanto à questão do sarcasmo e da ironia, digo que são recursos até engraçados quando usados pelo CQC. Mas quanto participantes da mesma classe e enfrentadores do mesmo problema, acho isso inconveniente.

    Convido-o a participar mais das discussões no Abordagem, ao tempo em que passarei a discutir mais suas teses por aqui. Abraço…

  5. Carta aberta ao senhor aluno-a-oficial Danillo Ferreira | blog do pracinha Says:

    [...] me leva a crer que eu seja a execrável figura vítima da inanição da qual o senhor se referiu. Se o senhor não disse diretamente a mim, disse aos praças e, portanto, também me atinge, porque [...]

  6. Evaldo Says:

    Eu gostaria de saber seria enfiada toda a arrogancia, soberba e orgulho dos “superiores” (alguns somente, pois nem todos são assim) que utilizam divisas ou estrelas para submeter o subalterno a tratamento vexatório caso viesse as Polícias deixarem de ser militares. Há muito digo que esse “status” de militar não condiz com a atividade que deve, hoje, ser exercida pela polícia. Hierarquia e disciplina nada têm a ver com militarismo (por um acaso a Fiat, Mannesman, Vale, Petrobras e até nossas famílias são militares? Existe hierarquia e disciplina nesses lugares? Até onde eu sei, sim.). O próprio significado do termo polícia contradiz o significado do termo militar. Bom… vejamos o que aguarda as polícias do país. Por mim, desmilitarizava logo de uma vez e unificava, acabava com essa “justiça militar estadual” para que o policial trangressor acertasse suas contas civilmente com os representantes da sociedade. É assim que tem que ser.

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