Archive for the ‘Atividade policial’ Category

Minhas impressões sobre a segurança pública no Rio de Janeiro

terça-feira, julho 29th, 2008

Completo caos. Sim, esta é minha impressão sobre a segurança pública no Rio de Janeiro. Olhando de fora, é esta a impressão que eu tenho. Policiais pessimamente mal remunerados, gordas gratificações apenas para alguns cargos, secretário de segurança pública se auto-acusando, traficantes dominando territórios e decidindo eleições, mílicias formadas por agentes de segurança pública, fuzilamento de policiais, etc., etc., etc.

Na minha opinião, tudo começa com os péssimos salários pagos aos policiais. Ganhando menos de mil reais ao mês, você acha que eu ficaria correndo atrás de vagabundo, subindo favela sabendo que os soldados do tráfico estão armados de fuzis? Eu nem teria abordado o veículo em que estava o menino João Roberto, porque, pelo salário miserável, eu não me arriscaria a enfrentar bandidos armados de fuzis, ainda mais que a guarnição era composta, se não me engano, por três policiais. Colega do Rio, eu não sou besta pra tirar onda de herói. Deixaria o carro fugir, ou melhor, eu nem iria abordá-lo.

Eu não entendo como os policiais militares do Rio conseguem pagar todas suas contas com menos de R$ 1.000,00 ao mês. Eu recebo quase o dobro disso e passo aperto para pagar minhas contas.

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Navegando e fazendo propaganda

quinta-feira, julho 24th, 2008

Prezados leitores, vamos navegar pela internet? Espero que sim, porque estamos aqui hoje para divulgar sites e blogs.

O primeiro, é o site Fórum Policial, um espaço de debate que contém muitos tópicos, dentre os quais, humor, notícias, músicas, vídeos, concursos, etc. É um espaço democrático, para que possamos discutir assuntos de interesse dos profissionais de segurança pública. Dê uma passada por lá, poste ao menos uma piadinha e divulgue o site para os companheiros.

O segundo, é o site Os Patrulheiros, que eu descobri através de um comentário de um dos administradores do site no meu blog. Visitei o site e gostei muito. Tem muitas coisas legais por lá. Tiras, crônicas das estradas, educação de trânsito, CTB para leigos, etc.

O terceiro, é um blog que está para ser inaugurado em meados do mês de agosto, sob a administração de José Ricardo, o qual vem comentando assiduamente aqui neste blog. José Ricardo me enviou um e-mail dizendo que o blog dele já está recebendo uma média de 40 visitas diárias oriundas de sites de busca. Em tempo oportuno, daremos maior destaque à inauguração desse blog. Enquanto isso, leia o conto que ele me enviou, que trata do valor da amizade, de situações imprevisíveis na atividade policial e da complexidade de nosso trabalho:

O último dia

♦ José Ricardo

Talvez o Soldado Barros não fosse mais trabalhar fardado por um longo tempo. Com muita dificuldade e depois de muitos contatos telefônicos e pessoais, conseguira persuadir o chefe da S2 a lhe transferir para aquela seção. Barros era um soldado recém-formado, daqueles que ainda estava se adaptando à vida castrense. Não gostava de usar cobertura, pois estragava seu cabelo arrepiado à base de gel. Quase sempre, chegava ao batalhão com o som do carro em alto volume, tocando funk, de preferência aqueles que enalteciam a atividade policial. Quem o visse pela primeira vez poderia até achar que ele fosse um playboyzinho, o que não era verdade; Barros era uma pessoa bem humilde. Ele ainda tinha aqueles papos das ralações da academia e das novidades com as quais se deparava a cada novo turno de serviço operacional; ainda não havia excluído certas gírias, como véio, mano… O Sargento Moisés, graduado com quem trabalhava há cerca de um ano, estava lhe ensinando muitas coisas, até porque Barros era bastante curioso. Sempre que tinha alguma dúvida, perguntava para o sargento. Com aquele sotaque meio acariocado, trocando os Ss pelos Xs, não deixava passar a oportunidade. Sasrgento, em quanto tempo prescreve a transgressão disciplinar? Sasrgento, a gente pode atirar nas costas do motoqueiro que fugir da blitz? Sasrgento, qual munição é mais potente? Sasrgento, … E o sasrgento sempre tinha o maior prazer em responder as perguntas cujas respostas sabia. Mas o sargento não sabia de tudo, afinal, ele não era uma enciclopédia policial-militar ambulante.

O Sargento Moisés sempre fora um militar de iniciativa. Todavia, nos últimos meses, andava desiludido com a corporação. Sua produtividade, ou seja, o número de prisões e apreensões, havia caído bastante. Ele até que estava tentando recuperar a antiga motivação, mas certos pensamentos não lhe saíam da cabeça. Sentia-se traído. O sargento também estava cansado; eram tantos encargos extra-horário de serviço. Procedimentos administrativos, Conselho de Ética, monitorias… Com toda essa sobrecarga de trabalho, talvez ele acabasse ficando doido de verdade.

Apesar de terem perfis de personalidade bem diferentes, o sargento gostava de trabalhar com o Soldado Barros. Este tinha uma qualidade que o sargento achava indispensável: DISPOSIÇÃO. O sargento sabia que Barros não hesitaria um segundo em cuspir fogo pra cima de quem representasse risco à vida deles. Disposição era algo que não lhe faltava. O que lhe faltava era um pouquinho de maturidade profissional, mas isso só se adquire com o tempo, com a experiência.

E, naquele que seria o último dia em que trabalhariam juntos, lá estavam o sargento e o soldado no quartel se equipando para mais um turno de serviço. Quando embarcaram na viatura, o soldado disse:

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Mais um comentário interessante

sexta-feira, julho 11th, 2008

Recebi um comentário, ou melhor, uma história fictícia bem interessante. Ela aborda a questão da morte de policiais e deixa uma pergunta aos leitores: Se os policiais tivessem morrido, qual seria a repercussão na mídia e na opinião pública? Leiam:

E se os policiais tivessem morrido?

* José Ricardo

Numa cidade muito distante daqui, na qual bandidos utilizavam armas de guerra e adotavam táticas de guerrilha, dois policiais mal pagos e, segundo o secretário estadual de segurança pública, despreparados e mal treinados, encontravam-se dentro de uma viatura policial. A rede de rádio estava tumultuada. Informações desencontradas eram passadas a todo momento. De acordo com as primeiras informações, quatro bandidos armados de fuzis estariam fugindo em alta velocidade num veículo escuro. Ainda não se sabia ao certo o modelo e a placa do automóvel; mesmo se essas informações fossem conhecidas, nada impedia que os bandidos trocassem de veículo para despistar a polícia.

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Condicionamento mental e treinamento

quarta-feira, junho 25th, 2008

O Sargento Lago, num comentário feito em seu blog, disse uma frase que me fez refletir: “a adrenalina já começa no momento de sair de casa.”

Fez-me refletir principalmente acerca do condiciomento mental e do treinamento, visto que o sucesso ou o fracasso de uma intervenção policial dependem desses dois elementos.

O treinamento começa nos cursos de formação e deve se estender por toda a carreira do policial, para que os conhecimentos não sejam esquecidos. Três disciplinas, fundamentalmente, devem ser treinadas em demasia: técnica policial, defesa pessoal e tiro. O domínio dessas disciplinas podem salvar a vida do policial ou dar um desfecho menos traumático para a ocorrência policial.

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Inserção, ataque e extração

domingo, junho 22nd, 2008

Inserção, ataque e extração

Esta história é fictícia. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.

Para o Cabo Watson e o Soldado Crick, era apenas mais um turno de serviço. Para o Cadete Fabrício, não. Ele queria ação, muita ação. O cadete era ex-integrante das forças armadas, fanático por armas de fogo e por técnicas de combate. Portava consigo desde bomba de gás lacrimogêneo, binóculo, até cantil de água, tudo afixado no colete ou no cinto de guarnição. Para ele, não seria apenas mais um turno de serviço.

Depois da instrução pré-turno, os três militares embarcaram na viatura, e o cadete disse ao motorista:

- Crick, segue pro Morro Grande.

- Senhor, lá não pertence ao nosso setor de atuação. Não podemos ir lá sem a autorização do coordenador do turno, e dificilmente ele irá autorizar o deslocamento.

- Pode ir, eu assumo qualquer coisa - respondeu o cadete, determinado. Ele queria ação e achou que somente iria conseguir isso no Morro Grande, aglomerado bastante conhecido pelo alto índice de homicídios.

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OPERAÇÕES MIDIÁTICAS

terça-feira, maio 13th, 2008

OPERAÇÕES MIDIÁTICAS

Esta história é fictícia. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.

Ano de 3028.

O Sargento Jared e o Soldado Henoc, da FPM (Força Púbica Militar) estavam empenhados no combate ao tráfico de drogas na Favela do Avestruz. Com o apoio de outras guarnições do setor, haviam efetuado prisões importantes naquele aglomerado. Entretanto, não estavam conseguindo prender os líderes das duas quadrilhas rivais que ali atuavam. Com o objetivo de pedir o auxílio do serviço de inteligência da Unidade, o sargento confeccionou um relatório pormenorizado da situação do tráfico no aglomerado, indicando localização das bocas-de-fumo, membros das quadrilhas, modus operandi e mais uma série de detalhes. O documento foi entregue nas mãos do Tenente Abiezer, chefe direto do sargento e comandante do Pelotão, oficial que se dizia muito mais militar do que policial. O tenente queria mesmo era ser da Força Aérea, seguir a carreira do pai, mas não foi aprovado no concurso porque não era bom de matemática. Entrou então para a FPM, cujo concurso exigia menos conhecimento dessa matéria.

O oficial não estava nem aí para o tráfico na favela, nem aí para a comunidade que vivia aterrorizada pelos traficantes. A comunidade que se danasse. O que ele queria na verdade era a promoção, e vislumbrou naquele relatório um atalho para o posto de capitão. Apresentou o relatório ao comandante da Unidade, explicando que uma grande operação no aglomerado poderia ser bem vista pela opinião pública. Claro que a presença da mídia era imprescindível. O oficialato precisa de visibilidade. O plano era que o comandante da Unidade desse uma entrevista falando que ele próprio estava no comando da operação, a qual fora sugerida pelo Tenente Abiezer, e que o resultado fora excelente, culminando na prisão de vários traficantes e na apreensão de grande quantidade de armas e drogas. O plano foi aprovado.

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