Navegando e fazendo propaganda

julho 24th, 2008

Prezados leitores, vamos navegar pela internet? Espero que sim, porque estamos aqui hoje para divulgar sites e blogs.

O primeiro, é o site Fórum Policial, um espaço de debate que contém muitos tópicos, dentre os quais, humor, notícias, músicas, vídeos, concursos, etc. É um espaço democrático, para que possamos discutir assuntos de interesse dos profissionais de segurança pública. Dê uma passada por lá, poste ao menos uma piadinha e divulgue o site para os companheiros.

O segundo, é o site Os Patrulheiros, que eu descobri através de um comentário de um dos administradores do site no meu blog. Visitei o site e gostei muito. Tem muitas coisas legais por lá. Tiras, crônicas das estradas, educação de trânsito, CTB para leigos, etc.

O terceiro, é um blog que está para ser inaugurado em meados do mês de agosto, sob a administração de José Ricardo, o qual vem comentando assiduamente aqui neste blog. José Ricardo me enviou um e-mail dizendo que o blog dele já está recebendo uma média de 40 visitas diárias oriundas de sites de busca. Em tempo oportuno, daremos maior destaque à inauguração desse blog. Enquanto isso, leia o conto que ele me enviou, que trata do valor da amizade, de situações imprevisíveis na atividade policial e da complexidade de nosso trabalho:

O último dia

♦ José Ricardo

Talvez o Soldado Barros não fosse mais trabalhar fardado por um longo tempo. Com muita dificuldade e depois de muitos contatos telefônicos e pessoais, conseguira persuadir o chefe da S2 a lhe transferir para aquela seção. Barros era um soldado recém-formado, daqueles que ainda estava se adaptando à vida castrense. Não gostava de usar cobertura, pois estragava seu cabelo arrepiado à base de gel. Quase sempre, chegava ao batalhão com o som do carro em alto volume, tocando funk, de preferência aqueles que enalteciam a atividade policial. Quem o visse pela primeira vez poderia até achar que ele fosse um playboyzinho, o que não era verdade; Barros era uma pessoa bem humilde. Ele ainda tinha aqueles papos das ralações da academia e das novidades com as quais se deparava a cada novo turno de serviço operacional; ainda não havia excluído certas gírias, como véio, mano… O Sargento Moisés, graduado com quem trabalhava há cerca de um ano, estava lhe ensinando muitas coisas, até porque Barros era bastante curioso. Sempre que tinha alguma dúvida, perguntava para o sargento. Com aquele sotaque meio acariocado, trocando os Ss pelos Xs, não deixava passar a oportunidade. Sasrgento, em quanto tempo prescreve a transgressão disciplinar? Sasrgento, a gente pode atirar nas costas do motoqueiro que fugir da blitz? Sasrgento, qual munição é mais potente? Sasrgento, … E o sasrgento sempre tinha o maior prazer em responder as perguntas cujas respostas sabia. Mas o sargento não sabia de tudo, afinal, ele não era uma enciclopédia policial-militar ambulante.

O Sargento Moisés sempre fora um militar de iniciativa. Todavia, nos últimos meses, andava desiludido com a corporação. Sua produtividade, ou seja, o número de prisões e apreensões, havia caído bastante. Ele até que estava tentando recuperar a antiga motivação, mas certos pensamentos não lhe saíam da cabeça. Sentia-se traído. O sargento também estava cansado; eram tantos encargos extra-horário de serviço. Procedimentos administrativos, Conselho de Ética, monitorias… Com toda essa sobrecarga de trabalho, talvez ele acabasse ficando doido de verdade.

Apesar de terem perfis de personalidade bem diferentes, o sargento gostava de trabalhar com o Soldado Barros. Este tinha uma qualidade que o sargento achava indispensável: DISPOSIÇÃO. O sargento sabia que Barros não hesitaria um segundo em cuspir fogo pra cima de quem representasse risco à vida deles. Disposição era algo que não lhe faltava. O que lhe faltava era um pouquinho de maturidade profissional, mas isso só se adquire com o tempo, com a experiência.

E, naquele que seria o último dia em que trabalhariam juntos, lá estavam o sargento e o soldado no quartel se equipando para mais um turno de serviço. Quando embarcaram na viatura, o soldado disse:

Read the rest of this entry »

Para refletir

julho 23rd, 2008

Em outras palavras, a polícia tem sido uma grande mentira, que afeta, em primeiro lugar, os próprios policiais. Para rasgar as cortinas e tirar as máscaras, nada como a verdade. Santo remédio. E não me venham com a velha história: a dose pode matar o paciente. Se matar, paciência. Quanta gente já morreu nessa brincadeira. O que não aceito é que continuemos o joguinho, a farsa, em silêncio, fingindo que não está acontecendo nada.”

Rodrigo Pimentel, ex-Capitão da PMERJ - Elite da Tropa, pag. 305.

Fatalidade ou malfadada e desastrosa decisão?

julho 20th, 2008

Algum tempo atrás, eu afirmei que o pracinha é aquele policial “que sofre, que é ferido, alvejado e morto em razão de malfadadas e desastrosas decisões dos oficiais, mas que não as pode questionar. Pondera, não, pracinha, ordem é ordem, não se discute. Missão dada, missão cumprida.” Hoje, analisando o trágico fato de dois policiais militares terem sido metralhados dentro de uma viatura quando faziam policiamento fixo de 12 horas, relembrei dessa minha afirmação e fiquei com a dúvida: Será que foi isso que aconteceu? Os policiais morreram em razão de uma decisão desastrosa? O comandante desses policiais não analisaram a possibilidade de acontecer o que tragicamente aconteceu? É possível dar segurança sem ter segurança?

Depois de ler o texto que um leitor me enviou (ver abaixo), fiquei me imaginando naquela viatura, cumprindo uma ordem de ficar 12 horas num ponto fixo, sem banheiro, sem água…

Read the rest of this entry »

Morre PM que estava em viatura metralhada na zona norte de São Paulo

julho 18th, 2008

Recentemente recebi um conto (ver abaixo), tratando da hipotése de que os policiais do caso João Roberto tivessem morrido metralhados. Infelizmente, algo semelhante aconteceu em São Paulo. Por isso, achei oportuno republicar o conto.

E se os policiais tivessem morrido?

* José Ricardo

Numa cidade muito distante daqui, na qual bandidos utilizavam armas de guerra e adotavam táticas de guerrilha, dois policiais mal pagos e, segundo o secretário estadual de segurança pública, despreparados e mal treinados, encontravam-se dentro de uma viatura policial. A rede de rádio estava tumultuada. Informações desencontradas eram passadas a todo momento. De acordo com as primeiras informações, quatro bandidos armados de fuzis estariam fugindo em alta velocidade num veículo escuro. Ainda não se sabia ao certo o modelo e a placa do automóvel; mesmo se essas informações fossem conhecidas, nada impedia que os bandidos trocassem de veículo para despistar a polícia.

Read the rest of this entry »

Carta de uma mãe que perdeu o filho

julho 15th, 2008

Postei logo abaixo a carta escrita pela mãe do Soldado Paes e dirigida ao Comandante Geral da PMDF. O soldado Paes morreu quando, cumprindo seu dever profissional, tentou evitar um assalto a uma padaria em Sobradinho, deixanda a esposa e um bebê, de apenas um mês de idade. Era um policial dedicado, exemplar e que amava a corporação. Uma semana antes de morrer, foi homenageado por participar do quadro de ocorrências de destaque. Será que a opinião pública e a mídia se chocaram com a morte desse policial militar?

Senhor Comandante,

Sou alguém que certamente não fará parte de seu convívio, pois o liame que nos conectava foi partido de maneira abrupta. Mas a vida é feita de pequenos momentos e pequenos gestos, e mesmo atravessando o mais triste tempo do meu viver, não poderia deixar passar despercebido o seu gesto, que a princípio pode parecer pequeno, mas que para nós da família que estamos vivendo um pesadelo, é muito significativo.

E importante saber que meu filho não foi só um número e um nome de guerra, e que numa instituição hierarquicamente tão severa existe espaço para sentimentos humanitários e fraternais. Que o respeito ao ser humano vem antes das convenções. Perdi, perdi muito, como mulher, como mãe, fiquei mais triste, perdi um filho, vocês também, perderam, perderam um soldado, um guerreiro, que amava esta instituição com todas as fibras de seu ser, pois ser policial não foi um emprego, não foi falta de opções, porque ofereci ao meu filho muitas. Sua meta de vida estava traçada e nada nem ninguém poderia dissuadi-lo.

Read the rest of this entry »

Policiais “insanos”?

julho 14th, 2008

Recebi este brilhante texto do 2º Sargento PM Sidney Gomes Ferreira, da PMMG. O texto é excelente! Vale a pena ler.

POLICIAIS “INSANOS”?

Insano… que tem por sinônimo dentre outros significados: louco, demente, maníaco, psicopata. Esse foi o adjetivo atribuído pelo Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, aos policiais militares que confundiram o veículo da família de um taxista com o carro de assaltantes, erro que resultou na morte de uma criança de 03 anos de idade.

Não estou aqui para defender os perpetradores da ação, porque nada que eu tentasse argumentar, justificaria a atuação desastrosa daqueles policiais, haja vista, que dos encarregados que tem o dever legal de zelar pela manutenção da ordem, não se pode exigir menos que o absoluto cumprimento das leis. Contudo, nem por isso, posso calar-me ao ver veicular na mídia o conspícuo Secretário, titulando aqueles infelizes policiais de “Insanos”.

É bom lembrarmos que erros acontecem. Se voltarmos a alguns meses atrás, podemos citar o que ocorreu com a Polícia da Inglaterra, que é considerada uma das melhores Polícias do mundo, que inclusive, por infelicidade o erro causou a morte de mais um brasileiro, contudo, nem por isso aqueles profissionais foram chamados de insanos por seus representantes.

É lamentável e revoltoso, assistir o alto Escalão da Força Pública Estadual prestando declarações desprezíveis sobre seus combatentes, chamando-os de “insanos”, esquecendo que os policiais, na ocasião, representavam seu Estado. Será que o brioso Secretário, esqueceu-se que essa atitude desrespeitosa só serve para corroborar a falência de sua própria política de segurança?

Read the rest of this entry »


This site employs the Wavatars plugin by Shamus Young.