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Fraude na Loucademia

quinta-feira, agosto 7th, 2008

Aviso: Está é uma história fictícia. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.

Fraude na Loucademia

O Soldado Adamastor estava na Loucademia de Políca participando do Treinamento Bienal (TB). Muitos especialista achavam que deveria existir mais treinamento na Polícia. Adamastor, porém, estava puto de ter que acordar de madrugada, deslocar mais de quarenta quilômetros de casa, pegar um trânsito infernal, ficar ouvindo conversa fiada de superior, entrar em forma, inspeção de fardamento, aquelas aulas chatas… Era tanta coisa que fazia Adamastor ficar puto de estar participando daquela semana de treinamento; mas tinha que estar lá. Era obrigado. Ele só gostava da avaliação de tiro. Sim, só da avaliação, porque nem aula de tiro existia no curso. Era chegar lá e atirar. Ele até pensava em errar o alvo de propósito; iria ficar numa espécie de recuperação, mas seria o único modo treinar um pouco mais. Adamastor, quando atirava, esquecia de tudo. Concentrava-se no alinhamento da alça e da massa de mira em direção do alvo. Tiros certeiros. Depois, uma sensação de tranqüilidade.

O fato é que Adamastor estava puto com aqueles comezinhos bestas do militarismo, aqueles cadetes se achando Reis do Universo, os oficiais só falando em prender, em dar parte… Desse jeito, ele nem queria treinamento, não. Estava lá, como já foi dito, por pura obrigação. De saco cheio de tudo aquilo.

Entretanto, ele lembrou que poderia tirar algum proveito daquela semana pedante. Ele lembrou que existia uma biblioteca na Loucademia, e pensou em pegar lá um livro constante no conteúdo do concurso para o CFO. Concurso que ele iria fazer e já estava estudanto há bastante tempo para ser aprovado.

Então, no horário do almoço, Adamastor foi à biblioteca. Só estava lá um rapaz, civil, fazendo o plantão do horário.

- Boa Tarde! Vocês têm o livro que vai cair no concurso do CFO deste ano?

- O Código da Vinci!? Não, não temos, não. Eu também vou fazer a prova.

- Tá estudando bastante?

- Ah… Mais ou menos. Eu tô querendo é pegar a prova.

Adamastor não entendeu. Refletiu um pouco e perguntou:

- Você consegue pegar a prova.

- A prova é feita aqui - respondeu o rapaz, falando mais baixo.

- Aqui!

- Aqui tem uma gráfica. Você não sabia? A prova que você vai fazer no final do TB é impressa aqui. Todas as provas que são feitas durante o curso de soldado, de sargento, de oficial… Todas são impressas aqui.

- E a dos concursos públicos, também?

- Também. Você não se lembra, há quatro anos, quando a prova do concurso de soldado foi anulada porque um candidato foi surpreendido na hora da prova com uma borracha com as respostas certas. De onde você acha que saiu essa prova?

- Foi daqui?

O rosto do rapaz fez uma expressão, como que dizendo: “você acredita em papai noel até hoje?” Em seguida, disse:

- Você quer que pega pra você também?

Não, Adamastor não queria. Gostava das coisas honestas. Aquela conversa estava lhe parecendo surreal. Ele sentiu um nojo indescritível da Loucademia. Quanta safadeza. Lembrou que no ano retrasado a prova de redação do concurso do CFO foi anulada a pedido do Poder Judiciário, e a Loucademia não deu nenhuma explicação sobre os motivos que a Justiça argumentou para recomendar a anulação. Anulou e pronto. Quem tirou nota boa na primeira redação ficou prejudicado. Adamastor estava enojado com aquela conversa. Parecia um pesadelo. Ele estudando tanto para passar no concurso, enquanto outros só pegavam a prova. Será que é verdade o que o rapaz está dizendo, ou será que eu ainda estou acreditando em papail noel?, pensou Adamastor. Depois de algum tempo em silêncio, resolveu encerrar aquela conversa.

- Não, eu não quero, não.

- Mas não comente com ninguém o que eu te disse.

- Ninguém vai saber disso.

Adamastor foi embora pensando que, mesmo se mais alguém soubesse, ninguém iria ser investigado, tampouco alguém seria condenado. Tudo iria ser varrido para debaixo do tapete da corrupção e do podre jeitinho brasileiro.

 

Navegando e fazendo propaganda

quinta-feira, julho 24th, 2008

Prezados leitores, vamos navegar pela internet? Espero que sim, porque estamos aqui hoje para divulgar sites e blogs.

O primeiro, é o site Fórum Policial, um espaço de debate que contém muitos tópicos, dentre os quais, humor, notícias, músicas, vídeos, concursos, etc. É um espaço democrático, para que possamos discutir assuntos de interesse dos profissionais de segurança pública. Dê uma passada por lá, poste ao menos uma piadinha e divulgue o site para os companheiros.

O segundo, é o site Os Patrulheiros, que eu descobri através de um comentário de um dos administradores do site no meu blog. Visitei o site e gostei muito. Tem muitas coisas legais por lá. Tiras, crônicas das estradas, educação de trânsito, CTB para leigos, etc.

O terceiro, é um blog que está para ser inaugurado em meados do mês de agosto, sob a administração de José Ricardo, o qual vem comentando assiduamente aqui neste blog. José Ricardo me enviou um e-mail dizendo que o blog dele já está recebendo uma média de 40 visitas diárias oriundas de sites de busca. Em tempo oportuno, daremos maior destaque à inauguração desse blog. Enquanto isso, leia o conto que ele me enviou, que trata do valor da amizade, de situações imprevisíveis na atividade policial e da complexidade de nosso trabalho:

O último dia

♦ José Ricardo

Talvez o Soldado Barros não fosse mais trabalhar fardado por um longo tempo. Com muita dificuldade e depois de muitos contatos telefônicos e pessoais, conseguira persuadir o chefe da S2 a lhe transferir para aquela seção. Barros era um soldado recém-formado, daqueles que ainda estava se adaptando à vida castrense. Não gostava de usar cobertura, pois estragava seu cabelo arrepiado à base de gel. Quase sempre, chegava ao batalhão com o som do carro em alto volume, tocando funk, de preferência aqueles que enalteciam a atividade policial. Quem o visse pela primeira vez poderia até achar que ele fosse um playboyzinho, o que não era verdade; Barros era uma pessoa bem humilde. Ele ainda tinha aqueles papos das ralações da academia e das novidades com as quais se deparava a cada novo turno de serviço operacional; ainda não havia excluído certas gírias, como véio, mano… O Sargento Moisés, graduado com quem trabalhava há cerca de um ano, estava lhe ensinando muitas coisas, até porque Barros era bastante curioso. Sempre que tinha alguma dúvida, perguntava para o sargento. Com aquele sotaque meio acariocado, trocando os Ss pelos Xs, não deixava passar a oportunidade. Sasrgento, em quanto tempo prescreve a transgressão disciplinar? Sasrgento, a gente pode atirar nas costas do motoqueiro que fugir da blitz? Sasrgento, qual munição é mais potente? Sasrgento, … E o sasrgento sempre tinha o maior prazer em responder as perguntas cujas respostas sabia. Mas o sargento não sabia de tudo, afinal, ele não era uma enciclopédia policial-militar ambulante.

O Sargento Moisés sempre fora um militar de iniciativa. Todavia, nos últimos meses, andava desiludido com a corporação. Sua produtividade, ou seja, o número de prisões e apreensões, havia caído bastante. Ele até que estava tentando recuperar a antiga motivação, mas certos pensamentos não lhe saíam da cabeça. Sentia-se traído. O sargento também estava cansado; eram tantos encargos extra-horário de serviço. Procedimentos administrativos, Conselho de Ética, monitorias… Com toda essa sobrecarga de trabalho, talvez ele acabasse ficando doido de verdade.

Apesar de terem perfis de personalidade bem diferentes, o sargento gostava de trabalhar com o Soldado Barros. Este tinha uma qualidade que o sargento achava indispensável: DISPOSIÇÃO. O sargento sabia que Barros não hesitaria um segundo em cuspir fogo pra cima de quem representasse risco à vida deles. Disposição era algo que não lhe faltava. O que lhe faltava era um pouquinho de maturidade profissional, mas isso só se adquire com o tempo, com a experiência.

E, naquele que seria o último dia em que trabalhariam juntos, lá estavam o sargento e o soldado no quartel se equipando para mais um turno de serviço. Quando embarcaram na viatura, o soldado disse:

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Mais um comentário interessante

sexta-feira, julho 11th, 2008

Recebi um comentário, ou melhor, uma história fictícia bem interessante. Ela aborda a questão da morte de policiais e deixa uma pergunta aos leitores: Se os policiais tivessem morrido, qual seria a repercussão na mídia e na opinião pública? Leiam:

E se os policiais tivessem morrido?

* José Ricardo

Numa cidade muito distante daqui, na qual bandidos utilizavam armas de guerra e adotavam táticas de guerrilha, dois policiais mal pagos e, segundo o secretário estadual de segurança pública, despreparados e mal treinados, encontravam-se dentro de uma viatura policial. A rede de rádio estava tumultuada. Informações desencontradas eram passadas a todo momento. De acordo com as primeiras informações, quatro bandidos armados de fuzis estariam fugindo em alta velocidade num veículo escuro. Ainda não se sabia ao certo o modelo e a placa do automóvel; mesmo se essas informações fossem conhecidas, nada impedia que os bandidos trocassem de veículo para despistar a polícia.

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